Prazeres da Mesa - Página Inicial
  Facebook Twitter Twitter VideoReceita  
 
 
  Tango de uma nota só

O perigo que a Argentina corre por focar o mercado internacional com uma única casta


O sucesso da Malbec no mundo já é uma realidade. Finalmente, depois de anos, décadas, os argentinos acertaram em cheio nos rótulos com essa uva, moldaram-na ao paladar internacional e conseguiram converter a cepa na verdadeira vedete do momento. O Malbec argentino está na moda, especialmente em mercados como o americano.No entanto, já existem vozes que alertam sobre o perigo da mono-oferta, do risco que implica ter uma só frente de batalha, da falta de diversidade e do horizonte obscuro que se aproxima quando os gringos se cansarem da Malbec e não houver nada mais a oferecer a eles. Lembre-se do exemplo australiano e de sua Syrah, que hoje passa por momentos difíceis em termos comerciais (ainda que os vinhos desse país estejam melhores do que nunca). O mesmo poderia acontecer com os argentinos. Seria tudo tão catastrófico assim? Vejamos.O desenvolvimento do vinho argentino foi determinado pelo grande consumo interno, suficiente para criar uma indústria enorme sem precisar olhar para o exterior. Isso é excelente em termos de cultura vinícola – mostrar que, sim, existe um paladar local para eles. Mas o lado ruim dessa história é a tendência ao conformismo de uma única opinião (a própria) e às explorações que, assim, deixam de ser feitas. O fenômeno de vendas da Malbec está relacionado a isso, com a iniciativa de vender o vinho para o mercado externo e perceber que o paladar internacional não tem muito a ver com o paladar local. A escolha é, então, sacrificar-se em prol das vendas. E eles fizeram isso.Mas nesse desenvolvimento também se coloca a questão de se descobrir a si mesmo como um país produtor. Não é saudável que, em um território tão grande, 70% do vinho seja produzido em só uma zona e que as demais sejam completamente marginais. Quando falamos dessa falta de diversidade da oferta do vinho argentino, no fundo fala-se da ausência de vontade em descobrir novas zonas. A Argentina já começou a rota do descobrimento e agora só bastam alguns anos para que muitas novas áreas, algumas no extremo sul do país, comecem a dar frutos.E, entre as variedades de uvas, a Malbec é a principal. Mas você já provou a Bonarda? Ela produz rótulos deliciosos, suculentos – algo como um tipo de Barbera, mas com sabores mais mediterrâneos. Seu potencial para  produzir vinhos simples, frutados, espécie de Beaujolais da América do Sul, é enorme. Basta que alguém comece a exportá-la.E o Torrontés? Sim, já sei. Pode ser amargo, até mesmo áspero. Mas, quando um exemplar saltenho consegue chegar a determinado ponto de madureza, ele é excelente. Como um Muscat ou um Viognier dos bons, que são poucos, mas contam. E, certamente, não há melhor companhia para um Torrontés de Salta do que as famosas empanadas locais, desde que sejam de frango.E também há as velhas videiras de Tempranillo no alto do Vale de Uco, a Pinot Noir do Sul e a delícia que são os vinhos feitos à moda antiga como o Weinert ou o Bodegas López, rótulos que já não existem no mercado mundial. Isso sem falar no Chardonnay dos Andes e no que mais se descobrirá ainda nesta década. Pode ser que hoje o país só ofereça Malbec, mas isso é um problema de marketing, não de real potencial. Os argentinos têm mais coisas.

* Patricio Tapia é autor do Guia Descorchados, principal publicação sobre vinhos do Chile.

 
 
 
 
VideoReceita
Nesta semana, surpreenda sua mãe com uma receita deliciosa e as mais belas flores! A Chef Daniella Franken ensina a preparar

Outros vídeos:
· Caipiry
· Margarita
· Como Fatiar e Picar Cebolas
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nas Bancas Rádio Prazeres da Mesa
Blog do Castilho Mesa Show Brasília
Blog Cozinheiro Viajante Blogosfera de Prazeres
Melhores do Vinho 2013 Semana MESA SP
Ao vivo: Ceará Ao vivo: Pernambuco
Newsletter Vídeos
Carta de São Paulo Edições Anteriores
Quem Somos Fale Conosco (SAC)
Cadastre-se
   
 
colunistas
Didú Russo
Depois de perder espaço para a Cabernet Sauvignon na produção nacional, a Cabernet Franc ganha de novo destaque nas adegas da América do Sul
 
Luis Lopes
A Revista de Vinhos, de Portugal, anuncia os melhores rótulos e produtores do país, 
a maioria bem conhecida do público brasileiro
 
Marina Gobet
O restaurante Abri oferece dois tipos de cardápio: sanduíches, aos sábados e às segundas-feiras, e menu com tendência oriental nos outros dias da semana. Acerta em ambos
 
José Barattino
As PANCs são a nossa arma contra a monotonia culinária, contra a cultura de sabores engessados, contra a mesmice de ingredientes, a ditadura do paladar prêt-à-porter
 
  Prazeres da Mesa e Editora 4 Capas também fazem
4 Capas On-line | Rua Andrade Fernandes, 283 - São Paulo, SP - (11) 3023-5509 | www.4capas.com.br
Prazeres da Mesa, A Bíblia da Gastronomia
Resolução Mínima de 1024x768 © Copyright 2008, Prazeres da MESA. Todos os direitos reservados
Assine | Anuncie na revista | Anuncie no site | Fale Conosco (SAC)