O programa é um original almoço japonês. Regado a espumante rosé e com um brinde especial de saquê com folhas de ouro. Na decoração romântica da mesa, pequenos vasos transparentes com cravos a flutuar e, numa ponta, uma escultura de cerejeira, típica do Japão. Para não errar numa ocasião como essas, é sempre bom saber um pouco mais sobre essa rica cultura oriental.
O respeito é a regra de hospitalidade nos restaurantes japoneses – uma lição a ser aprendida. Em uma casa das mais sofisticadas, como a paulistana Shintori, é impossível entrar despercebido. Mal se passa pela norem (aquela cortina curtinha, que é a indicação de que você é bem-vindo), um sonoro “irasshaimasse” é dito em coro por garçons e sushimen. Aliás, um parêntese aqui, são raros os lugares em que você é saudado com um “bem-vindo”!
De volta à cena, uma toalhinha úmida e quente chega para o conforto de limpar as mãos. E, quase de imediato, uma entradinha singela, numa pequena cumbuquinha chega à mesa. Começa a guerra dos palitinhos! Nas primeiras incursões, é comum achar que não se tem habilidade para comer com hashis, que, nessa hora, parecem apenas peças daquele jogo de pega-varetas da infância. Mas, com a ajuda de um elástico e algum treino, em pouco tempo você dominará os tais palitinhos com destreza nipônica. Preste atenção em um detalhe de extrema delicadeza: os hashis têm tamanho menor para as mulheres.
Depois da entradinha, é a hora de escolher os pratos e esperar, pois logo a mesa vai ser cenário para um desfile. Um festival de formas e cores. Aí é que fico encantado! A montagem de um barco ou prato de sushis, sashimis e rolls. Cada bolinho de arroz ou fatia de peixe é trabalhado de forma diferente e única. Além disso, sempre há surpresas no menu, algo que eu gosto de chamar de pequenos presentinhos. Uma vieira, uma ostra ou um montinho de ovas, coisas que parecem figurar em perfeita harmonia, como em um belo jardim. E o que falar do bulezinho de shoyu, que parece ter saído de um filme de época? Tudo parece coroar essa maravilhosa experiência gastronômica. Fruto do trabalho de mãos hábeis de profissionais que estudaram e praticaram muito até merecer o título de sushiman. Para mim, cozinha japonesa é como uma obra de artista plástico!
Por fim, quero ainda falar de alguns pratos da cozinha oriental. Bons exemplos são os crocantes tempurás, os suculentos yakisobas e os delicados sukiakis. Ícones que não podem ser esquecidos ou desmerecidos pelos amantes da boa gastronomia. Para que não se passe uma vida toda, de forma infantil, comendo apenas bife com batata frita!
* Fabio Arruda é palestrante, consultor e autor de livros sobre etiqueta e comportamento; fabioarruda.com.br