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  Perlage brasileiro

A consolidação do espumante tupiniquim e seu futuro depois de um ano que entra na história


O ano de 2011 entrará para a história do espumante no Brasil. Nunca se vendeu tanto esse tipo de vinho, que, finalmente, deixou de ser bebida da moda, de momento ou de celebração, e passou a ser também do cotidiano. A produção no país está perto de completar 100 anos. Foi em 1915 que, em Garibaldi, na Serra Gaúcha, estabeleceu-se a Vinícola Armando Peterlongo, que, por muitas décadas, reinou nesse seguimento de mercado. Seus produtos tinham excelente qualidade, a ponto de, desde 1946, terem  seu espumante servido no coquetel de abertura das assembleias-gerais da ONU, em Nova York. Por tradição, o Brasil sempre patrocinou esse ato social.


Naqueles tempos, e até o final da década de 1990, ainda chamávamos nossos espumantes de champanha, erradamente, mas felizmente corrigimos esse curso e, agora, nosso vinho de borbulhas natural é chamado espumante. Nos anos 1980, o amigo e confrade Mauro Corte Real, gaúcho de boa cepa, escreveu o livro Sua Excelência o Champanha, publicado pela Editora Sulina. Nesse livro eram listados os principais produtores brasileiros desse tipo de vinho na época: Georges Aubert, Peterlongo, Martini & Rossi, Provifin (Chandon), Cooperativa Aurora, Heublein, Mônaco e Salton.


As uvas frequentemente usadas eram as Trebiano, Peverela, Riesling Itálico e Semillon. Com a chegada da Chandon à Serra Gaúcha, no início dos anos 1970, houve um incremento forte e os produtores de uvas foram estimulados a cultivar as varietais Chardonnay e Pinot Noir. A partir de então, toda a referência de qualidade vinha dos produtos elaborados pela Chandon. Uma vez que o projeto tornou-se vencedor, outros produtores começaram a investir em mais qualidade de cultivo e novos equipamentos para elaboração. Assim, na virada do século pudemos assistir ao triunfo do espumante brasileiro, cuja qualidade nada fica a dever se comparado a seus congêneres elaborados pelo mundo, excetuando, claro, o autêntico champanhe francês.


Foi a partir dessa virada do século que começaram a surgir pequenos produtores individuais de espumantes na Serra Gaúcha, elaborando produtos de elevada qualidade. Houve uma corrida à montagem de adegas modernas, com aquisição de enormes tanques de inox para fermentação pelo processo charmat. O mercado estava com sede!


Finalmente o brasileiro passou a degustar espumantes a qualquer momento. Em 2010, o Grupo Pão de Açúcar, o maior vendedor de vinhos do Brasil, vendeu 1,2 milhão de garrafas de espumante nacional, ante 200.000 do importado. Foi um bom sinal, e assim acabava o reino efêmero dos Prosecco, que tanto barulho fizeram entre nós.


Hoje o mercado de espumantes no Brasil é grande e há uma previsão de crescimento de 10% ao ano nesta década. A concentração é forte: a Salton lidera com folga esse seguimento, com 40% de participação, seguida da Chandon com 20%. A Salton fecha 2011 com uma produção de 7,2 milhões de garrafas. O restante dos 40% do mercado é ocupado por uma centena de rótulos, todos de qualidades superiores que, com certeza, farão a alegria de muita gente.


Vivemos este bom momento. Só tememos, mais uma vez, que algum “guloso” do governo resolva inventar mais um imposto para atrapalhar essa saudável festa. Até lá, aprecie o grande espumante brasileiro com moderação, prazer e orgulho.

 
 
 
 
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