Por Luciana Mastrorosa
Fotos Ricardo D'Angelo
Grandes poderes trazem grandes responsabilidades – grandes talentos também. A jovem chef Bel Coelho, que pilota o restaurante Dui, em São Paulo, reflete bem essa máxima popular. Mesmo com a correria do dia a dia, dividindo-se entre a cozinha, a criação de menus especiais para o Dui e seu projeto Clandestino, Bel ainda encontra espaço na agenda para apoiar causas sociais. Dessa vez, abriu as portas de seu restaurante para a ONG Afago – Associação de Apoio à Família, ao Grupo e à Comunidade – em jantar beneficente que reuniu mais de uma centena de convidados. “Desde o ano passado tentávamos promover um evento no Dui com essa ONG, e este ano finalmente conseguimos”, diz a chef.
Com a casa cheia, o jantar transcorreu durante pouco mais de três horas no salão animado do restaurante, que ganhou como decoração um mural representando a obra realizada pela instituição. Seguindo os princípios da Afago, a ideia era que cada colaborador ou parceiro do evento contribuísse com aquilo que pudesse oferecer de melhor. A Bel coube preparar um inspirado coquetel, seguido por um menu de cinco cursos que encantou os convivas – harmonizado com vinhos oferecidos pela Miolo e pela Região do Vinho Verde, parceiros do evento. “Montei um cardápio com pratos emblemáticos do Dui, simples, mas a nossa cara”, conta a chef. Entre as delícias servidas por Bel estavam sua já famosa salada vermelha, com beterraba e ar de melancia, o ovo perfeito com espuma de bacalhau e o risoto de paio com couve – esta última, a chef ensina a preparar nesta edição. A sobremesa, um tartar de abacaxi com tapioca, coco brulé e baba de moça, também arrancou suspiros dos convidados.
Este é o segundo jantar promovido pela Afago – no ano passado, a primeira edição do evento aconteceu no restaurante paulistano Amici, da chef Renata Cruz. Sucesso total, com todos os ingressos vendidos. Neste ano não foi diferente: 100 convites foram comercializados a 180 reais cada um, valor que incluía o jantar e a harmonização com vinhos e bebidas. “Nossa intenção é promover uma ação dessas por ano, sempre com restaurantes que apoiem a causa”, diz Adriana Rocha, presidente da ONG e a principal idealizadora do projeto. Adriana conta que, dessa vez, a ideia demorou apenas dois meses para decolar, desde sua concepção. E Bel topou o convite assim que o recebeu. “Percebemos nas manifestações da chef que suas convicções tinham a ver com as nossas. Ela foi sempre muito receptiva e imediata nas respostas. Assim que aceitou a proposta, rapidamente já tinha um menu montado”, diz Márcia Cavalheiro, coordenadora editorial do Senac, que também colaborou com a causa.
No jantar, a brigada da chef foi um pouco diferente da habitual: em vez de seu staff padrão, Bel contou com a ajuda de estudantes da Unip e do Senac, que colaboraram com a ONG oferecendo sua força de trabalho – e, de quebra, aprendendo com uma das chefs mais talentosas de sua geração. A consultora Paula Sarquis, também parceira do evento, compareceu com toda a sua família para apreciar o jantar. Sua mãe, a artista plástica Leila Sarquis, estava encantada com o resultado. “É muito bonito esse trabalho. Acho que é isso o que falta no mundo, solidariedade”, afirma Leila.
Antes dessa ação beneficente, Bel já havia apoiado outras causas. Ano passado, fez parte da equipe reunida pelo chef Jun Sakamoto para cozinhar em prol das vítimas do terremoto do Japão. “Tudo o que é beneficente eu tento atender. Dou aula na Casa do Zezinho, já fiz eventos com a Childhood, com a Gastromotiva, sempre com esse enfoque social”, diz a chef, citando outras instituições beneficentes. A exemplo de Bel e Sakamoto, outros nomes de peso da gastronomia brasileira também engrossam a lista de apoiadores de causas sociais, como os chefs Alex Atala, Claude Troisgros e Roberta Sudbrack, entre outros estrelados, que se reuniram para ajudar as vítimas das chuvas na Serra Fluminense, em 2011. “Cada um colabora com o que sabe e o que pode, esse é o espírito”, afirma Bel. A união, nesse caso, realmente faz a força.
Risoto de paio com favas verdes e couve
4 porções
200 g de paio cortado em fatias finas
200 g de arroz Arborio; 125 g de manteiga sem sal
100 g de favas verdes frescas sem a casca
80 g de queijo parmesão ralado na hora
80 g de cebola picada; 600 ml de caldo de frango
100 ml de vinho branco seco; 20 ml de azeite de oliva
1 colher (chá) de alho picado; 4 folhas inteiras de couve, branqueadas; 1 folha de couve picada em tiras bem finas
Tomilho e alecrim frescos picados a gosto; sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto; água para branquear
1 Branqueie as folhas de couve passando-as em água fervente e, em seguida, pela água fria; escorra e reserve. 2 Frite o paio com um fio de azeite quente em uma frigideira; reserve. 3 Refogue o alho e a cebola (nesta ordem) em 25 g da manteiga. 4 Acrescente o arroz Arborio e refogue por 1 minuto mexendo constantemente. 5 Adicione o vinho e deixe o álcool evaporar; junte o paio, coloque 1 concha do caldo aquecido e continue mexendo. 6 Repita a operação até que o arroz fique quase cozido (aproximadamente 20 minutos) sem parar de mexer. 7 Acrescente a couve picada, as favas e as ervas; continue mexendo. 8 Adicione o parmesão ralado, a manteiga restante e tempere com sal e pimenta a gosto; o risoto deve ser al dente e sua textura deve estar úmida e aveludada. 9 Sirva ainda quente dentro das folhas de couve previamente branqueadas.
Receita de Bel Coelho, do Dui, São Paulo, SP; duirestaurante.com.br
Afago na Pedreira
A ONG Afago existe há 18 anos e trabalha principalmente com crianças a partir de 6 anos e jovens até 18 anos, que vivem nas comunidades carentes de Vila Aparecida, em São Paulo, mais conhecida como Favela da Pedreira. Há dois anos, a artista plástica Adriana Rocha assumiu a presidência da instituição, procurando implantar seu objetivo de vida: formar novos cidadãos para um mundo igualmente novo, “onde a fraternidade seja a regra, e não a exceção”. A ONG atende diariamente 240 crianças e jovens em situação de risco, oferecendo oportunidades fora dos horários de escola. “Promovemos diversas atividades socioeducativas que envolvem música, teatro, artes, informática. Tudo para evitar que esses jovens fiquem nas ruas”, diz Adriana. Para colaborar com a instituição, entre em contato em afagosp.org.br.