Prazeres da Mesa - Página Inicial
  Facebook Twitter Twitter VideoReceita  
 
 
  Um pedaço do México no Caribe
   

 

É Riviera Maia, com seu mar azul cegante, sítios arqueológicos cenográficos e a cozinha instigante da Península de Yucatán


POR JOSIMAR MELO

Em termos de gastronomia o México é muito, mas muito mais variado do que costumamos perceber no Brasil, onde nos poucos lugares em que essa culinária aparece é sob a forma abastardada da cozinha tex-mex: meio texana, meio mexicana, popular nos Estados Unidos, mas longe de representar a rica variedade gastronômica do país. Vivi recentemente uma face desse grande mosaico, numa passagem pela Península de Yucatán, que, no sudeste do país, separa o Golfo do México do Mar do Caribe.

Meu destino foi uma região bem ao sul de Cancún (que fica ao norte), conhecida como Riviera Maia. Eu a conheci de camarote, é verdade – hospedado no recentemente inaugurado resort da rede Mandarin Oriental, cercado de luxo e conforto, instalado numa arquitetura de primeira (moderna mas bem integrada ao ambiente) e tendo o Mar do Caribe a meus pés. Nada mal, depois do calvário para tirar o visto que o consulado do México, subserviente ao governo americano, nos impõe; e de sobreviver à gananciosa American Airlines.

O hotel faz parte de uma ocupação turística que está a pleno vapor na região. São vários resorts de luxo instalando-se na área, num trecho de mais de 100 quilômetros. Diferentemente dos arranha-céus de Cancún, aqui há empreendimentos – como é o caso do Mandarin Oriental – que repousam discretamente na paisagem. E além de ter o azul quase cegante do mar caribenho pela frente, o turista pode também visitar belas ruínas e sítios arqueológicos da civilização maia (caso de Chichén Itzá, uma das novas sete maravilhas do mundo, no interior, em Tulum, num lindo promontório à beira-mar, e de Cobá, com suas pirâmides e quadras de pelota, onde se jogava com bolas e com a cabeça dos inimigos).

Pode o visitante, ainda, entregar-se a aventuras como os mergulhos (com snorkel ou tanque) nos cenotes (os impressionantes poços que levam à superfície dos rios subterrâneos por onde corre a água doce da região), ou fazer compras na cidadezinha de Playa del Carmen, uma espécie de shopping center a céu aberto, na verdade sem grandes atrações além de lojinhas turísticas e grifes internacionais (mas se pode comer num dos restaurantes locais). Também não fica longe a Ilha de Cozumel, atração especialmente interessante para quem aprecia mergulho no mar.

A gastronomia na Península de Yucatán tem os traços nacionais mexicanos e, ao mesmo tempo, suas especificidades. Um prato típico da região é o pibil: forma de cozimento de carnes embrulhadas em folha de bananeira e levadas ao forno (antigamente eram carnes cozidas em covas na terra). São normalmente de frango (pollo pibil) ou, ainda melhor, mais suculenta e tenra, de carne de porco (cochinita pibil). Nos dois casos, as carnes são previamente marinadas com frutas cítricas e temperos.

No Mandarin Oriental, é possível provar as duas em um de seus restaurantes, dedicado à cozinha mexicana com um toque contemporâneo – o Aguamarina. Ali, como é hábito em todo o país, as refeições começam com tequila pura acompanhada de sangrita (suco de tomate bem temperado e apimentado), ou com coquetéis preparados com a bebida, como o margarita; e guacamole (pasta de abacate com temperos e pimenta servida sobre triângulos de tortilla frita, os totopos).

Outro restaurante do hotel, o mais sofisticado, é o Ambar – só funciona à noite, com cozinha mexicana moderna, com fusões asiáticas (exemplos: tartar de atum com abacate, molho ponzu e alho crocante; perna de cordeiro lentamente cozida com harumake de vegetais e timbale de quinoa). Para acompanhar, uma boa carta de vinhos, com vários exemplares mexicanos, alguns bem interessantes (especialmente da Baixa Califórnia). Outros restaurantes do hotel incluem o ceviche cha cha cha, à beira-mar (principalmente peixes, em ceviche ou sushi); e dentro do spa, um restaurante vegetariano – todos os restaurantes são supervisionados pelo chef Nacho Granda.
Em Playa del Carmen há dezenas de restaurantes, muitos deles com mesinhas na calçada da rua principal, a Quinta Avenida, permitida somente para pedestres. Há desde locais de comida típica até redes de fast-food americanas. Um local agradável, com um pátio interno ao ar livre – recomendado apenas se não estiver calor demais (caso contrário, é melhor o salão com ar-condicionado) –, é o Yaxche, que fica na Calle 8, entre a Quinta e a Décima Avenidas (telefone 00xx52 984 873 2502). A casa anuncia servir cozinha maia; na verdade é a cozinha de Yucatán combinada com o resto do México e do mundo, mas interessante por alguns pratos, como as tortillas recheadas com feijão e cobertas com peru desfiado, abacate e cebola; ou a picante versão com camarões marinados em molho de chile chipotle e axiote; ou, mais picante ainda, o pibxcatic (chile xcatic assado e recheado com cochinita pibil).
As tortillas de milho, produzidas há séculos com grãos que cozinham em cal e limão (formando a massa chamada nixtamal, que tira toxinas do grão e libera a absorção de suas vitaminas pelo corpo), são a base da alimentação. Servidas em restaurantes ou consumidas em casa, normalmente são compradas prontas e recheadas com diferentes ingredientes. Se podem ser comidas em qualquer lugar, as minhas preferidas o foram num precário boteco à beira da estrada 307, que corre pela península paralela ao mar. Ali, perto da marina de Puerto Aventura, uma tenda anunciava a Taquería El Arbol 1. Naquele ambiente simples, as tortillas eram prensadas uma a uma, na nossa frente, depois aquecidas e entregues para que, das diversas panelas, escolhessemos os recheios.
Já bem servido de deliciosas porções de cochinitas pibil ao longo da viagem, atirei-me nos itens que achei que seriam mais difíceis de achar naquele último dia de estada. Foram três tortillas: com moelas de frango; com chicharrón (pele de porco que, nesse caso, era cozida, macia, e não crocante); e com pé de porco empanado. Bastante pimenta (e infelizmente nenhuma cerveja, pois ali não a vendem). Entre o México luxuoso do Mandarin Oriental, e aquele México profundo do pé de porco à beira da estrada eu... realmente fico com os dois.

Mandarin Oriental – km 298,8 da Carretera 307, Playa del Carmen, Estado de Quintana Roo, México.
www.mandarinoriental.com/rivieramaya

(*) O jornalista Josimar Melo viajou a convite do Mandarin Oriental e da American Airlines.

foto:



(*)Josimar Melo é crítico de gastronomia do jornal Folha de S. Paulo e autor do guia de restaurantes que leva seu nome.
 
 
 
 
VideoReceita
Creme de Manga, Coco e Gengibre :: Sabores da Semana

Outros vídeos:
· Caipiry
· Margarita
· Como Fatiar e Picar Cebolas
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nas Bancas Melhores do Vinho
Melhores do Ano Mesa Ao Vivo Brasília
Mesa Ao Vivo Ceará Mesa Ao Vivo Pernambuco
Mesa Ao Vivo Rio Semana MESA SP
Blog do Castilho Blogosfera de Prazeres
Edições Anteriores Vídeos
Carta de São Paulo Quem Somos
Fale Conosco (SAC) Newsletter
   
 
colunistas
Josimar Melo
Ao rever o livro sobre cerveja escrito mais de uma década atrás, a prova de que o mercado e o consumidor evoluíram – e não foi pouco
 
Jorge Carrara
Uvas como Sauvignon Blanc, Syrah, Cabernet Franc e Pinot Noir brilham cada vez mais e mostram a diversidade do país
 
Marina Gobet
O restaurante Abri oferece dois tipos de cardápio: sanduíches, aos sábados e às segundas-feiras, e menu com tendência oriental nos outros dias da semana. Acerta em ambos
 
André Clemente e Edu Passarelli
Acha que conhece todas as possibilidades de degustar cerveja? Então se prepare para mais esta: a bebida é usada para lavar a casca do laticínio
 
  Prazeres da Mesa e Editora 4 Capas também fazem
4 Capas On-line | Rua Andrade Fernandes, 283 - São Paulo, SP - (11) 3023-5509 | www.4capas.com.br
Prazeres da Mesa, A Bíblia da Gastronomia
Resolução Mínima de 1024x768 © Copyright 2008, Prazeres da MESA. Todos os direitos reservados
Assine | Anuncie na revista | Anuncie no site | Fale Conosco (SAC)