Prazeres da mesa

Viagens

Hakuna Matata

Entre as inúmeras belezas e atrações da África do Sul, uma das mais incríveis e deslumbrantes é a vivência nos safáris

Por: Prazeres Da Mesa | 10.jan.2018

Por Carolina Esquilante

Fotos RJ Castilho

Viajamos de Joanesburgo, na África do Sul, para o aeroporto de Hoedspruit, rumo ao Krueger National Park, um dos parques nacionais mais antigos, fundado em 1898, e que, a partir de 2001, disponibilizou 3% de sua área, que conta mais de 4,8 milhões de acres, como concessões privadas para arrendamento por 25 anos, para ajudar a conservar o ecossistema e a proteger os animais. Nosso lodge – como eles chamam os hotéis dentro do safári –, o Singita Lebombo, foi um dos favorecidos com essa concessão e faz um excelente trabalho de preservação.

São cerca de 2 horas de carro do aeroporto ao lodge, mas o caminho encanta, pois os animais estão por toda parte. Fomos surpreendidos no meio da estrada por vários macacos, elefantes e centenas de impalas e gnus, os animais que mais vimos durante os dias de safári. Por ficar dentro do Krueger Park, o Singita é totalmente aberto e completamente imerso na natureza. Os animais circulam por ali e os hóspedes não podem andar à noite sem a presença de um guarda, que os levam e os buscam, armado, para evitar qualquer tipo de acidente.

África - Hakuna Matata

O céu no Krueger Park é incrível, o pôr do sol entre os mais bonitos que já vimos

A primeira impressão que se tem ao chegar ao quarto do Singita é que se está realizando aquele sonho de criança, de ter uma casa na árvore. Cercado de natureza, não há paredes, é só vidro, com fechamento lateral de pedra e bambu. Na varanda é montada uma cama, para os hóspedes que preferirem dormir ao ar livre e a vista para o rio é maravilhosa. À noite, é possível ouvir os sons dos animais e ver os olhos brilhantes dos crocodilos, além de um céu estrelado de tirar o fôlego. O box do banheiro também é todo envidraçado e pode ser aberto para a varanda, para uma experiência maior com a natureza. Tudo isso sem prejudicar o luxo. É a mistura perfeita para quem busca  experiência com a savana e os animais, mas não abre mão de conforto, pois o quarto tem ótima infraestrutura, assim como o restante do lodge, que recebe os hóspedes com uma elegância ímpar e cuidado sem igual. Sem contar que o Singita é bem exclusivo. São apenas 13 suítes e duas “presidenciais”, com piscina privativa. No mais, é seguir o significado do título desta reportagem, Hakuna Matata, que é uma frase do idioma suaíle, uma das línguas faladas na África Oriental, e que significa, em uma tradução livre, “não se preocupe”.

A princípio, ficamos receosos de ter de acordar às 5 da manhã para o primeiro safári do dia, mas as boas surpresas, como o lindo nascer do sol na savana, faz tudo valer a pena. Um rápido café da manhã é servido. Cafés, sucos, chás e algum bolinho e frutas. A ideia é sair do lodge o mais rápido possível, para ir em busca dos big five – os cinco animais mais difíceis de ser encontrados: leão, elefante,  búfalo, leopardo e rinoceronte. São cerca de 4 horas de game drive, que é como eles chamam o safári, tanto de manhã quanto à tarde. Para nossa sorte, não encontramos apenas o leopardo, mas ficamos satisfeitos com todos os animais que vimos.

É uma surpresa e euforia a cada minuto, a cada animal encontrado, a cada pista seguida pelo tracker – que é o braço direito do ranger e se senta em um banco na parte da frente do carro, com a missão de seguir o rastro dos animais, pelo cheiro, pelas pegadas ou com as dicas de outros trackers, que se comunicam por rádio – e pelo ranger – que é o motorista do safári e o anfitrião do grupo durante toda a estada. É ele quem nos acorda, organiza as saídas para o safári e fica responsável por nós ao longo do dia, no game drive. Na última noite, o ranger participa do jantar com o grupo, para confraternizar e se despedir. A habilidade dos trackers e dos rangers é realmente incrível. Eles seguem rastros, que nós, meros mortais, nem perceberíamos e nos levam o mais perto possível dos bichos, sempre dando as instruções de não levantar ou sair do carro e não fazer muito barulho, por questão de segurança. No game drive da manhã tem uma parada para um lanche e um breve descanso. Na parte da tarde, que eles chamam drink time, são servidos vinhos e champanhe, para apreciar o pôr do sol, um dos mais belos que já vimos.

Foram duas noites hospedados nesse paraíso, o suficiente para nos apaixonarmos e desejar voltar o mais rápido possível. Quem tiver a oportunidade de se hospedar por mais um tempo, pode aproveitar também os safáris de bicicleta ou em caminhadas.

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Gastronomia no Singita 

Além de todas as atrações e diversões para a família inteira, o Singita Lebombo se diferencia pela culinária, que valoriza os produtores locais, os ingredientes orgânicos e que estrutura o cardápio, que muda diariamente, de acordo com o que recebem de mais fresco. Na hora do almoço é servido um menu, composto de oito pratos para compartilhar e, à noite, o serviço é à la carte.

Na volta do safári matinal, é possível tomar o café da manhã completo. Tudo feito na hora e levado à mesa, nada de bufê. Entre as opções, geleias caseiras deliciosas, croissants quentinhos, frutas variadas, cereais, sucos, queijos, panquecas, ovos e omeletes, servidos com torradas, bacon, salsichas e o acompanhamento de acordo com a preferência, além de sucos detox e smoothies super-refrescantes. Quem preferir se aventurar em algo local, tem um prato mais substancioso, composto de ragu de feijões apimentados, com ervas, espinafre, tomate, cogumelos e bacon.

Depois do descanso e antes do safári da tarde, é servido o almoço, no mesmo local do café da manhã, sempre com opções mais leves e para dividir, para que ninguém passe mal durante o passeio. Eles trabalham com muitos legumes e vegetais e carnes de caça, principalmente. Durante nossa estada, provamos gazpacho de beterraba, curry tailandês de frango, ovos com aspargos e tomatinhos, entre outros.

À noite, a mesa é preparada ao lado da piscina, a céu aberto, com um menu mais completo e com carnes mais pesadas, como de impala e cordeiro. Há também ótimas opções de frutos do mar, como as lulas com avocado e abacaxi, levemente picante e de cogumelos, como o pappardelle com pancetta, cogumelos e parmesão.

Os drinques e vinhos são uma atração à parte. Tudo está incluso na diária, inclusive uma visita guiada à adega, com degustação. É possível pedir drinques a qualquer hora do dia, assim como escolher rótulos para degustar no quarto ou à beira da piscina. Assim que o hóspede chega, o sommelier tenta saber um pouco mais sobre suas preferências, para que possa sugerir as melhores opções de harmonização com as refeições.

Participamos de uma degustação de vinhos produzidos na África do Sul. Foi uma seleção especial de rótulos escolhidos para mostrar um panorama dessa cultura, que vem crescendo no país. Provamos o Stellenrust, o Chenin Blanc, seguido do Thorne Daugthers, o Rocking Horse 2014, produzido por uma vinícola que preza pelo orgânico e não usa pesticida. É um blend de diferentes uvas, mas um vinho completamente mineral e natural. E não poderíamos deixar de degustar um Pinotage, de uma das uvas principais da África do Sul.

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Jantar na Savana 

Depois de uma tarde muito divertida em busca do rei da floresta, que só deu o ar da graça nos últimos minutos do nosso último game drive, fomos presenteados com uma agradável surpresa. Ao anoitecer, nosso ranger nos levou a um espaço no meio da savana, montado para receber os hóspedes do hotel em sua última noite. Ao lado do rio, com mesas à luz de velas, fogueira e um céu estrelado, para completar, uma estrutura surpreendente é montada, um bar com diversos drinques, espumantes e vinhos e uma espécie de grelha para servir de fogão.

Foram oferecidas aos hóspedes opções deliciosas, como o risoto de milho, com trufas e parmesão, imperdível. Uma das especialidades locais. Muito cremosa e bem temperada, daquelas comidas que acalentam. Carnes, como a de kudu, bastante consumida na África do Sul, e barriga de porco também faziam parte do menu.

Ao final do serviço, os funcionários do hotel fazem uma dança típica africana, em volta da fogueira, e convidam os hóspedes a participar desse momento de celebração. Eles transmitem uma energia incrível e explicam que é tudo preparado para agradecer nossa presença. Depois dessa experiência, nós é que temos muito o que agradecer. Um fechamento memorável para dias tão especiais!

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Escola de Culinária 

O Singita participa de diversos projetos sociais com as comunidades carentes e o de gastronomia é dos mais importantes. Funcionando desde 2007, a Escola de Culinária Singita (SSC) oferece um curso de 18 meses para estudantes das comunidades locais. Nele, são abordados teorias em sala de aula e com conteúdo on-line e um intensivo de aulas práticas. A ideia é apoiar e proporcionar novas oportunidades a jovens e formá-los, muitas vezes, para ser contratados para trabalhar no próprio lodge. Estima-se que desde o início do programa mais de 50 estudantes tenham sido contratados como chef.

Singita Lebombo lodge 

N’wanetsi River, Kruger National Park, Mpumalanga, Kruger Park, 1350, África do Sul, tel. +27 13 735 5500. singita.com

*Prazeres da Mesa viajou a convite da South African Tourism e da South African Airways, companhia aérea que nos levou para a África do Sul

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