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Degustação vertical da Fuller’s Vintage Ale mostra o potencial da cerveja para envelhecer e encantar

Por: Prazeres Da Mesa | 10.jan.2018

Por André Clemente e Edu Passarelli

Fotos Divulgação

 A britânica Fuller’s é uma das grandes referências cervejeiras do mundo. Ícone no país da rainha, a cervejaria está oficialmente em atividade desde 1845, mas registros mostram mais de 350 anos de história, com a bebida sendo feita antes da criação da cervejaria. Grandes clássicos, como London Pride e London Porter, estão na gama de produtos fabricados pela Fuller’s.

Neste ano completam 20 anos de fabricação de uma edição limitada, lançada em lote restrito e numerado apenas uma vez ao ano, batizada Fuller’s Vintage Ale. Nessa receita, o mestre cervejeiro utiliza maltes e lúpulos que representaram grande qualidade durante o ano, sempre fermentados pela levedura exclusiva Fuller’s. O estilo seguido é o Barley Wine, que permite também guarda longa, possibilitando evolução da cerveja na garrafa. Durante todos esses anos, o desenvolvimento da fórmula ficou a cargo de John Keeling, mestre cervejeiro da marca, que, no início deste ano, passou o bastão para a cervejeira Georgina Young. Portanto, a edição 2016 marca também a última participação de Keeling à frente das Vintage Ale.

Para comemorar os 14 anos de Prazeres da Mesa, juntamos um time de apreciadores de boas cervejas para degustar nove edições de Fuller’s Vintage Ale, de 2007 a 2016, com exceção da produzida em 2010, que não estava disponível na adega de nenhum dos participantes. O local escolhido foi o restaurante Zucco, na capital paulista.

Iniciamos a degustação pela edição mais jovem, de 2016 (garrafa No 067461), que usa sete tipos de lúpulo em sua receita, e se mostra intensamente no aroma e no assertivo amargor. Notas de malte, remetendo a melaço e presença de sutil frutado, complementam-lhe o sabor. A edição produzida em 2015 (garrafa No 044109) chamou a atenção dos degustadores. Mais uma vez, o lúpulo se mostrou bem fresco, com notas herbais e terrosas, mas nessa receita o residual adocicado era menos intenso, deixando a cerveja mais “fácil” de beber. A 2014 (garrafa No 084479) mantinha ainda boa carbonatação e, mais uma vez, notas maltadas que lembravam melaço e lúpulo ainda intenso em aroma e sabor. A edição 2013 (garrafa No 048150) começava a apresentar notas de oxidação, porém, de forma benéfica para a cerveja, trazendo-lhe características semelhantes às do vinho Jerez, aliadas ao caramelo vindo do malte e agradável amargor. A última edição a se mostrar com notas semelhantes à de uma cerveja jovem foi a 2012 (garrafa No 06219), que ainda mostrava lúpulo bem inserido e malte lembrando caramelo e rapadura. A versão fabricada em 2011 (garrafa No 017916) se mostrava mais apagada e com oxidação intensa, prejudicando a degustação.

Uma boa surpresa nas edições mais antigas

Com a fraca apresentação da Vintage 2011, a expectativa era que as próximas edições se mostrassem também não tão agradáveis. Porém, a garrafa No 138497, da safra 2009, surpreendeu. Oxidação bastante presente (trazendo frutas vermelhas e mais uma vez notas de Jerez) e pouco gás mostravam uma bebida bem diferente das versões mais jovens, mas, muito interessante (veja gráfico abaixo). Os anos de 2008 (garrafa No 10964) e 2007 (garrafa No 75423) traziam características semelhantes, mostrando que a cerveja tem potencial para essa longa guarda com resultado muito agradável. No fim do papo, ainda com notas de frutas secas e caramelo da edição 2007, ficamos com a certeza de que a safra 2011 merecia mais um tempo de adega para atingir o primor de suas irmãs mais velhas. A Fuller’s é importada pela Boxer do Brasil.

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