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O melhor do ano

Conheça a história do Pêra Manca, o melhor vinho do ano em nosso ranking

Por: Prazeres Da Mesa | 20.dec.2010

O Pêra Manca Tinto 2007 ocupa o primeiro lugar no pódio do Top 100 de Prazeres da Mesa. A qualidade foi o ponto de partida para essa decisão. Confira aqui a história desse vinho e descubra porque mereceu estar no topo.

História do Pêra Manca

Pêra-Manca é a marca que a Fundação Eugénio de Almeida dedica aos seus vinhos de excepção. A sua qualidade é sobejamente conhecida, sendo um vinho de referência no mercado português e também nos mercados internacionais.

De acordo com a tradição, o nome de Pêra-Manca deriva do toponímico “pedra manca” ou “pedra oscilante” – uma formação granítica de blocos arredondados, em desequilíbrio sobre rocha firme. 

Reza a história que a tradição do vinho Pêra-Manca remonta à Idade Média. Reza também a história que por volta de 1365, Nossa Senhora terá aparecido em cima de um espinheiro a um pastor. Alguns anos depois, foi edificado um oratório em sua honra e em 1458, dada a crescente importância do local como ponto de peregrinação, uma igreja. A posterior fundação de um Convento, que viria albergar a Ordem de S. Jerónimo seguiu-se-lhe. E, nos séculos XV e XVI, os vinhedos de Pêra-Manca eram propriedade dos frades do Convento do Espinheiro. 

Em 1517, os frades do Convento do Espinheiro foram obrigados a arrendar esses vinhedos – por ser muito dispendioso o seu trato – a Álvaro Azedo, escudeiro do Rei e a sua mulher, Filipa Rodrigues. Deles, fala D. João II, numa carta à Câmara de Évora. 

A fama do Pêra-Manca permitiu que acompanhasse muitas naus da Índia no tempo dos Descobrimento. Foi ainda este o vinho que Pedro Álvares Cabral transportou em suas naus quando chegou ao Brasil. Foi recuperado no século XIX pela próspera Casa Soares, propriedade do Conselheiro José António d’Oliveira Soares, que o transformou num vinho sofisticado. Contudo, na sequência da crise filoxérica, a Casa Soares deixou de produzir o Pêra-Manca. Foi o herdeiro da extinta Casa Soares, José António de Oliveira Soares, quem, no ano de 1987, ofereceu o nome à Fundação Eugénio de Almeida, que passou a utilizar como rótulo a adaptação de um cartaz publicitário desenhado por Roque Gameiro.

Procurando um produto de particular mérito que estivesse à altura da excelência associada à sua denominação, a Fundação produziu o primeiro Pêra-Manca tinto, em 1990. Desde então foram apenas produzidos mais nove, em 1991, 1994, 1995, 1997, 1998, 2001, 2003, 2005 e 2007, este acabado de lançar no mercado. Esta exiguidade é justificada pelo elevado grau de exigência na selecção das colheitas que só poderão ser, naturalmente, de qualidade excepcional. 

As uvas, a partir das quais se produz o Pêra-Manca, são provenientes de vinhas com mais de 25 anos, de talhões seleccionados. O tinto é produzido a partir das castas Trincadeira e Aragonez e o branco tem como base as castas Antão Vaz e Arinto. 

Com o lançamento da colheita de 2003, a imagem tradicional e colorida do rótulo do Pêra-Manca foi alterada.

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