Prazeres da mesa

Reportagem, Viagens

Quem mexeu no meu queijo?

Chefs que sabem tudo de (comer!) pão de queijo testam cinco marcas vendidas em mercados

Por: Prazeres Da Mesa | 16.aug.2011

Por Roberta Malta
Fotos Tadeu Brunelli

Time de experts avaliando os pães de queijo quentinhos

No meio de uma tarde de trabalho, a equipe de Prazeres da Mesa prova pães de queijo vendidos como produto gourmet, de marca pouco conhecida. Desses que vêm pré-assados e congelados para ser finalizados no forno de casa. Textura macia, casca delicada, forma redonda e bastante queijo arrebatam a redação. O Formaggio Mineiro, produzido na cidade de Sumaré, em São Paulo, também caiu nas graças do grupo de chefs convidados para a degustação às cegas do produto. E venceu de lambuja o teste com as cinco amostras do lanchinho.

“Gosto até de pão de queijo murcho, assado de véspera”, diz Benny Novak, dos paulistanos Ici Bistrô, Tappo e 210 Diner. “Meu filho está viciado no da padaria perto de casa”, afirma Janaína Rueda, do Bar da Dona Onça, em São Paulo.

Fernando e Juliano Basile, do Janelas com Tramela (Gonçalves, MG)

Ninguém aqui é leigo. Renata Cruz, do também paulistano Amici, durante seis anos cuidou da cantina de uma escola. Ela conta que fazia provas para escolher os produtos com as próprias crianças, na hora do recreio. Fernando e Juliano Basile… Bom, eles têm um restaurante de cozinha brasileira em Gonçalves, Minas Gerais. Precisa dizer mais?

A avaliação foi feita a partir de cinco quesitos. Aparência, aroma, leveza, maciez e sabor levaram notas de zero a 10. A única regra da brincadeira foi respeitar as especificações de temperatura e o tempo de cozimento indicados nas embalagens.

Benny Novak, do ICI Bistrô, Tappo e 210 Diner (São Paulo, SP)

Todos poderiam ter assado um pouco mais. “Se eles saem do forno antes de a casquinha ficar firme, afundam”, diz Renata. Apenas um não segurou a onda. “Esse está cru”, afirma Janaína, referindo-se ao pão de queijo da marca Qualitá. “E manteve a forma do congelado”, completa Benny. Os irmãos Basile checam as embalagens e se surpreendem. “Tudo isso? Os que servimos no couvert também vêm congelados, mas assam em 15 minutos a 180 oC.” A marca que usam é artesanal, e só está disponível nos arredores de Gonçalves.

Os outros se mantiveram na média. Talvez não sejam assunto na redação, mas podem aplacar aquela fominha de fim de expediente, sem susto.

Nosso júri
Reunido no restaurante Johnnie Pepper, que acaba de abrir uma casa em São Paulo (Rua Doutor Mário Ferraz, 528, Itaim Bibi, tel. 11/2528-3100), nosso júri foi formado pelos chefs Benny Novak, Fernando Basile, Janaína Rueda, Juliano Basile e Renata Cruz.

1 – Formaggio Mineiro (R$ 7,80/ 250 g)
Sabor de queijo presente, macio por dentro e com casquinha fina. Aspecto caseiro, boa elasticidade. “Está na cara que é feito com ingredientes de verdade”, diz Benny Novak.

2 – Forno de Minas Tradicional (R$ 3,99/ 400 g)
Leve e com sabor discreto. Textura macia. “É delicado – eu gosto”, afirma Janaína.

3 – Forno de Minas Gourmet (R$ 5,39/ 300 g)
Sabor excessivo de manteiga. Massa pesada e elástica demais.“Não precisa nem de manteiga”, diz Renata.

4 – Sadia (R$ 4,10/ 400 g)
Carregado na manteiga em sabor e aroma. Aparência murcha. “Se ficasse um pouco mais no forno, talvez melhorasse”, afirma Fernando.

5 – Qualitá (R$ 2,59/ 400 g)
Precisa de mais tempo de forno do que indica a embalagem. Massudo e disforme.“Tem cheiro de farinha e de ovo, e parece chiclete”, diz Juliano.

 

Matérias Relacionadas