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REI DE BORDEAUX

O Château Mouton Rothschild, é um dos ícones entre os vinhos de Bordeaux. Uma degustação inédita em São Paulo avaliou a evolução das safras da década de 1980

Por: Prazeres Da Mesa | 4.apr.2017

Por Ricardo Castilho

Fotos Divulgação

O cenário não poderia ser melhor. A sala exclusiva do restaurante Fasano, em São Paulo, estava pronta para receber 20 privilegiados que iriam degustar todas as safras do Château Mouton Rothschild da década de 1980. O jantar com degustação foi organizado pela importadora Clarets, que está agitando o mercado não apenas pela seleção de vinhos de ponta que oferta, mas também por ter preços bem competitivos. Coube ao premiado sommelier Manoel Beato comandar o serviço dos vinhos e os comentários sobre cada safra.

A propriedade data do século XVIII e, desde 1853, ostenta o nome Rothschild, vindo do barão Nathaniel de Rothschild. Em 1855 ele recebeu a classificação de 2ème Cru Classé e, desde 1973, ostenta o título atual, de Premier Cru Classé, a mais alta de Bordeaux, na França. Em geral, seu corte combina cerca de 87% de Cabernet Sauvignon com o restante de Merlot e Cabernet Franc, e envelhecimento de 20 a 22 meses em barricas de carvalho francês.

Trata-se de um vinho especial, que atinge preço nas alturas e elevadas pontuações dos principais críticos mundiais. “Com o tempo fica mais delicado, amacia seus taninos e desenvolve aromas interessantes e variados”, afirma Manoel Beato. Outro diferencial da casa é que os rótulos são desenhados por grandes artistas, caso do da safra de 1969, de Joan Miró; de 1970, de Marc Chagall; de 1973, de Pablo Picasso, e de 1990, de Francis Bacon entre outros.

A seguir, um resumo das condições climáticas de cada ano, o que mostra as dificuldades da região, e confirma a importância do terroir e dos métodos de produção como grandes diferenciais na busca pela qualidade; e os comentários sobre cada um dos vinhos provados.

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Château Mouton Rothschild 1980

Um ano de muita chuva em toda a Europa. No Château colheram menos, mas uvas bem maduras. O resultado foi um vinho de aromas fantásticos de couro, tabaco e especiarias. Na boca, um vinho saindo da fase positiva. Seu conjunto entre aroma e paladar é muito bom. Rótulo do pintor germânico Hans Hartung.

Château Mouton Rothschild 1981

Outra safra ruim, com frio violento, muita neve e chuvas. Semelhante ao anterior no aroma. Na boca, mostrou-se melhor, mais complexo e longo. Rótulo do pintor e escultor franco-americano Arman.

Château Mouton Rothschild 1982

O inverno de 1982 foi mais suave, com menos chuvas do que o normal. O clima quente chegou em abril e continuou em maio. Em agosto vieram chuvas moderadas. Com tudo isso, as uvas amadureceram muito bem. Estupendo na elegância, mas menos intenso na boca. Marca o ano do reconhecimento do crítico Robert Parker, que atestou a qualidade do vinho antes de todo mundo. Ainda não está no apogeu, vai evoluir. Rótulo do ator e diretor John Huston.

Château Mouton Rothschild 1983

Foi um ano de geadas e até neve, com fortes chuvas, o dobro da média. O que parecia ser uma safra muito complicada, foi salva por dias quentes na época da colheita, o que permitiu que as uvas amadurecessem muito bem.

Mais suave que o anterior. Menos intenso, gostoso e elegante. Vinho no apogeu. Rótulo do cartunista americano Saul Steinberg.

Château Mouton Rothschild 1984

Outra safra de altos e baixos, com o clima extremamente variável, com períodos frios e úmidos, seguidos de onda de muito calor. A maturação foi retardada, mas benéfica para a Cabernet Sauvignon. Couro acentuado e cogumelos no aroma. Na boca, até mais intenso, mas menos elegante, com notas de tabaco. Rótulo do artista plástico israelense Yaacov Agam.

Château Mouton Rothschild 1985

Um dos anos mais frios. Em janeiro, por exemplo, foram 16 dias de temperatura subzero, com direito a uma semana de muita neve. Mas, por incrível que pareça, as vinhas pouco sofreram. Outra curiosidade é que esse foi o ano mais seco registrado. Vinho magnífico, intenso e elegante. Complexo e ainda com campo para evoluir. Rótulo do pintor belga Paul Delvaux.

Château Mouton Rothschild 1986

O ciclo da vegetação começou mais tarde do que a média, mas durante o verão moderado, a maturação chegou normalmente. Um vinho muito bem moldado, maravilhoso, complexo, elegante. Rótulo do pintor haitiano Bernard Séjourné.

Château Mouton Rothschild 1987

Muito frio de janeiro a março, o que permitiu um maior descanso para as videiras. Foi muito bom para a Merlot e a Cabernet Franc. A chuva caiu no final de setembro e início de outubro, complicando ainda mais uma já caprichosa safra. Aqui, uma curiosidade: foi utilizado um helicóptero para sobrevoar os vinhedos e secar as vinhas. Em um ano difícil e fraco em muitas partes, ele surpreende, sendo denso, rico e persistente. Rótulo do pintor suíço Hans Erni.

Château Mouton Rothschild 1988

O inverno foi mais suave, livre de geadas, mas com mais chuvas. As videiras brotaram mais cedo. O resultado no final foi uma safra um pouco menor. Um vinho menos intenso, mas que mostra a elegância desse Château. Rótulo do artista plástico Keith Haring.

Château Mouton Rothschild 1989

As condições climáticas em 1989 foram excepcionais, muito perto do ideal. O inverno foi ensolarado e seco, mas frio, o que permitiu o bom descanso das vinhas. A primavera foi quente e continuou muito quente até agosto, com chuvas na medida certa.

Foi a colheita mais tardia da década, com uvas perfeitamente maduras. Com taninos mais marcados por ser mais novo, claro; mas intenso, menos elegante nesse momento. Ainda deve evoluir com classe. Rótulo do pintor alemão Georg Baselitz.

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