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Cervejas

Tempo de Deus

Degustação compara seis edições da cerveja belga produzida pelo método champenoise

Por: Prazeres Da Mesa | 7.jul.2014

Por Edu Passarellitacas_deus
Fotos António Rodrigues

A belga Deus é um dos ícones das boas cervejas no mundo. Produzida pelo método champenoise, o mesmo usado por alguns vinhos espumantes, a cerveja chama atenção não só pelo sabor diferenciado, mas também pela apresentação – garrafas que lembram o champanhe Dom Perignon –, pelo serviço e pelo preço. No mercado brasileiro, ela é encontrada em restaurantes por até 250 reais.

A Deus é elaborada pela cervejaria Bosteels, na cidade de Buggenhout, na Bélgica, comandada há sete gerações pela mesma família. Sua produção demanda bastante tempo. Primeiro, é feita uma cerveja-base. Apesar de a cervejaria não confirmar, especula-se que seria a Tripel Karmeliet, um dos três rótulos produzidos na Bosteels. De lá, a cerveja-base viaja para a França, na região de Champagne, onde recebe uma dose extra de açúcar e levedura para espumantes e, por um ano, passa pelo método champenoise, repousando em pupitres.

Fomos convidados por Cássio Piccolo, do bar paulistano Frangó, para participar de uma degustação vertical com algumas safras de Deus, guardadas pelo próprio Cássio nos últimos anos. O time de degustadores foi formado por André Clemente e Edu Passarelli, de Prazeres da Mesa, Cesar Ranieri, do bar de São Paulo Kiaora, Sérgio Camargo, da Companhia Tradicional de Comércio, e Claudiomiro Rigo e Jandir Dalberto, da rede de churrascarias Fogo de Chão.

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A degustação começou pela edição 2012, última safra que aportou no Brasil. Ela se mostrou bastante fresca, com notas frutadas, herbáceas que lembravam erva-cidreira e bom perlage. A edição 2011 era menos frutada e com algo que remetia à madeira. Cássio observou que ela parecia “fechada” e que ganharia sabor depois de algum tempo aberta no copo, fato que se comprovou em alguns minutos. A 2010 trazia pouco aroma, baixo frescor, pequena formação de espuma e álcool mais evidente. Parecia demonstrar que a guarda da cerveja não traria nenhum tipo de evolução. Porém, ao abrir a edição de 2009, a opinião mudou. Estava bastante equilibrada, aromática, com bom perlage e lembrava um bom espumante.

As duas edições seguintes tinham maior intervalo de anos, sendo uma de 2004 e outra de 2002 – a primeira safra que chegou ao Brasil, no início das importações da cerveja. A versão 2004 estava turva – ao contrário da aparência cristalina que ela tem quando jovem – e com notas que na percepção de Sérgio lembravam o Amaretto. A última da degustação, a 2002, tinha apesar da turbidez um incrível frescor de aroma, com sabores frutados e bastante agradáveis. A guarda proporcionou sabores e aromas bastante diferentes das safras mais jovens, mas impressionou pela complexidade do rótulo. Dentre as safras mais recentes (2009, 2010, 2011 e 2012), ficou a impressão de que fresca a cerveja tem mais vida, com maior explosão de sabores e aromas.

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T-bone de cordeiro, da unidade Augusta da rede de churrascarias Fogo de Chão, na capital paulista

Deus da carne

A degustação aconteceu na nova unidade da rede de Churrascarias Fogo de Chão, na Rua Augusta, São Paulo. A rede está investindo em uma nova carta de cervejas em suas unidades brasileiras, desenvolvida por Cássio Piccolo, do bar Frangó. Ele adiantou a Prazeres da Mesa que rótulos como Duvel, La Trappe, Colorado, Paulistania e Stella Artois farão parte da seleção, além da Deus. Após a degustação vertical, a cerveja foi harmonizada com alguns cortes servidos na casa, revelando combinações muito interessantes. O T-Bone de cordeiro e a costela bovina surpreenderam ao lado de tradicionais harmonizações utilizadas com a Deus, como com salmão defumado. Unanimidade foi o casamento com o shoulder steak, corte macio e saboroso retirado da paleta do gado.

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