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Três perguntas para Sophia Bergqvist, da Quinta de la Rosa

Por: Prazeres Da Mesa | 9.dec.2016

Por Marcel Miwa
Foto divulgação

Sophia Bergqvist

Desde 1988 no comando da propriedade da família, Sophia Bergqvist foi uma das precursoras na elaboração de vinhos de mesa do Douro e, inicialmente, não por estratégia. Hoje, vive um dos melhores momentos na história da vinícola, que conta com apoio do renomado enólogo Jorge Moreira, que também é seu parceiro no projeto Passagem, no Douro Superior.

Como observa a trajetória da Quinta de la Rosa até hoje?
O início da Quinta, na família, foi em 1906 com minha avó. O negócio sempre foi de vender as uvas para as grandes marcas de Porto, como Croft e Sandeman. Em 1988, decidi criar nossa marca com meu pai e engarrafar os vinhos. Nesse início contratamos David Baverstock, que na época trabalhava com os Symington. Obviamente, primeiro fui aos Symington e perguntei se poderia contratá-lo para fazer meus vinhos tranquilos. Acho que eles pensaram que eu estava louca, pois na época o vinho do Porto era apontado como o futuro da região. Depois, David foi para o Esporão (Alentejo) e a distância foi um complicador, pois estávamos fazendo vinhos por telefone. Desde 2002 temos Jorge Moreira (Poeira e Real Cia. Velha) como enólogo da Quinta de la Rosa e parceiro no projeto Passadouro, no Douro Superior.

Além do Douro, gostaria de produzir vinho em outra região do globo?
Isso é um sonho. Vejo um enorme futuro para o Dão. A revolução está começando por lá, como podemos ver no M.O.B, de Jorge Moreira. Fora de Portugal, acho a África do Sul muito interessante, com relevo diverso e muitos ventos. Quando visitei minha filha, que estuda lá, achei o ambiente sedutor e fiquei admirada com a hospitalidade das vinícolas. Isso é algo que estou aplicando na Quinta de La Rosa, já que estamos em uma ótima localização.

Além dos Douro Boys, no geral há um bom senso de união entre os produtores do Douro, não?
Acredito que sim. Por exemplo: descobri que minha avó costumava enviar pipas de água à Noval, que está logo acima de nós no vale, nos anos de seca. Depois, estudei com Christian Seely (atual gestor de Noval e Romaneira) em Cambridge e somos amigos. A mesma amizade existe com Niepoort e Cristiano Van Zeller. Acho que o fato de pertencermos à mesma geração ajuda, temos afinidades. Jorge Serôdio, embora mais jovem, também é um amigo e me ajuda muito em Passadouro, no Douro Superior. Somos uma pequena região, não podemos correr o risco de nos fecharmos, de achar que um está tomando o espaço do outro.

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