Prazeres da mesa

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Abençoadas recordações

Trazidas da Bélgica no final do século XIX pelas Irmãs Vicentinas, as rosquinhas se tornaram parte da história de muitos paulistas

Por: Prazeres Da Mesa | 10.jul.2018

Por Isabel Raia

Fotos Ricardo D’Angelo

Rosquinhas vicentinasFeitas com massa de pão frita e banhadas em açúcar, as rosquinhas vicentinas são certeiras na hora de conquistar o paladar das crianças que ingressam nos Colégios Vicentinos, acompanhando sua trajetória escolar. Tudo começou com a chegada das Irmãs Vicentinas belgas, em 1896, que trouxeram na mala o costume de comer a delícia durante o café da tarde. Passados alguns anos e já estabelecidas na Penha, em São Paulo, levaram o hábito à primeira unidade da escola, que na época era um internato. “As Irmãs serviam as rosquinhas às internas no lanche da tarde, e foi virando uma tradição. A escola foi evoluindo, mas a receita seguiu como o destaque da cantina”, diz a irmã Luci Rocha de Freitas, diretora-geral dos colégios e das obras vicentinas.

O protagonismo da receita é tanto que, mesmo depois de formados, os alunos voltam a procurar a escola para comprar as rosquinhas. “Tem aluna que completou os estudos em 1955 e ainda faz encomendas para o chá da tarde, assim como os recém-formados, que usam a rosquinha como uma forma de recordar os bons momentos do intervalo”, afirma a irmã Luci. O segredo para tanto sucesso? A diretora logo diz sobre o carinho, o ingrediente principal na hora de reproduzir a receita e responsável por despertar as memórias afetivas de quem a degusta.

Mas para garantir que o sabor siga o mesmo até hoje, as cantineiras são treinadas para aprender o passo a passo, repetido diariamente para que o doce esteja sempre fresquinho na hora do lanche. “Elas aprendem que precisa esperar a massa crescer, como fritar e empanar para manter a qualidade de 200 anos atrás”, diz a irmã Luci. E o trabalho das cantineiras é grande. Somando as vendas das seis unidades do colégio, são produzidas, por dia, 2.000 rosquinhas.

01/12

Em 2017, a congregação completa 200 anos de existência e 121 anos de Brasil e, além do colégio, mantém projetos sociais como o Lar de Nossa Senhora das Graças, em Jundiaí, no interior de São Paulo, que atende 100 idosos em situação de vulnerabilidade social. “São pessoas que muitas vezes não têm parentes ou que as famílias não conseguem arcar com os custos de seus cuidados. Mas esse lugar precisa ser reformado e, para arrecadar verba, há dois anos a venda das rosquinhas tem a renda revertida para essa reestruturação”, diz a diretora. “Além de recordar os bons momentos, as pessoas ainda promovem solidariedade ao comprar as rosquinhas.”

Assim, quem é de São Paulo ou de Jundiaí – tendo estudado no colégio ou não – pode encomendar o quitute pelo site (colegiosvicentinos.com.br/rosquinhas) e oferecer um chá da tarde, compartilhando suas melhores memórias. Quem não é de São Paulo não precisa ficar com vontade, porque as irmãs passaram a tradicional receita para Prazeres da Mesa, é só reproduzir em casa e se deliciar.

Foto Ricardo D'Angelo

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