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Rosés brasileiros no pódio

Nossos espumantes, que continuam crescendo em qualidade, mostram que são fortes também no estilo rosado

O espumante brasileiro vem conseguindo, com os devidos méritos, conquistar seu espaço nas taças dos consumidores. Agora, dentro dessa grande categoria de vinho, existe o nicho dos espumantes rosés. Em que o breve contato com as cascas de uma (ou mais de uma) variedade tinta dá coloração, mais estrutura e, claro, no nariz, toques de frutas vermelhas ou de flores. Vale ressaltar que não se trata apenas de uma versão “turbinada” de um espumante branco. Mas de outro estilo que requer o mesmo senso de equilíbrio, com outros componentes. Essencialmente, a elegância da borbulha e o frescor, com bom ajuste entre as notas frutadas e de leveduras, continuam sendo a espinha dorsal para avaliar a bebida.

Os vinhos rosés de forma geral sempre foram associados ao verão. Uma bebida para ser tomada de forma descompromissada, à beira da piscina ou na praia. Com espumantes rosés, essa verdade se mantém. E, na taça, comprovam que a imagem faz sentido. Embora, como sempre ocorre no mundo do vinho, existam exceções. Se com os espumantes brancos o caminho e a personalidade são convergentes, o que justifica a existência de uma denominação de origem e muitas outras indicações de procedência, com os rosés o leque se mostra aberto, permitindo caminhos variados, obtidos principalmente pela multiplicidade de castas combinadas com a proposta de cada rótulo. Ao menos, foi o que pudemos comprovar nessa degustação de sete rótulos nacionais. Participaram os sommeliers Gabriel Raele, do restaurante Fleming’s; Adiu Bastos, do Tuju; e Gabrielli Fleming, que em breve inaugurará seu restaurante.

Rosés brasileiros no pódio
Fotos RJ Castilho

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Degustação de rosés

Frutado e equilibrado

Pinto Bandeira, RS I 91 pontos I R$ 97,90

Feito apenas com Pinot Noir e com estágio mínimo de 24 meses com as leveduras após a segunda fermentação na garrafa. Não por acaso, a vinícola é uma das grandes referências  no segmento. Há tudo o que se espera de um espumante rosé: aromas limpos e intensos de frutas vermelhas ácidas, menta, grapefruit e suspiro com boa acidez, espuma fina, intensa e duradoura.

Personalidade e complexidade

Flores da Cunha, RS I 90 pontos I R$ 98

Produzido unicamente a partir da Pinot Noir, cujo vinho-base passou 14 meses em barricas de carvalho e o contato com as borras perdurou por cerca de 13 meses. Na taça, o espumante busca (e encontra) um caminho único. Os aromas são de frutas amarelas, damasco fresco, casca de laranja e caju, com mel e um toque de pão tostado. Tem bom frescor com espuma fina e delicada. Um bom caminho para quem gosta de vinhos laranja.

Elegante e frutado

Campos de Cima da Serra, RS I 89 pontos I R$ 71,10

A coloração rosada bem clara é resultado das 8 horas de maceração que a Pinot Noir fica com suas cascas. Feito pelo método tradicional, com 12 meses “sur lie”, mostra-se bastante equilibrado. Borbulhas finas, com ótimo frescor e inicialmente láctico. Depois, a fruta apresenta bom vigor com uma mescla de frutas cítricas e frutas vermelhas ácidas (limão, cranberry e cereja). No final, o cítrico amargo (grapefruit) dá o tom sério do espumante.  Um dos melhores.

Fresco e direto

Dom Pedrito, RS I 89 pontos I R$ 64,75

Feito com a exótica mescla da tinta Pinot Noir e da branca Gewürztraminer. Na taça, o resultado não traz nada de exotismo, em um bom sentido. Aromas cítricos no primeiro plano (limão e laranja ácida) com apenas toques de cereja fresca. Final com grama, ervas frescas e cítrico amargo.
A espuma é delicada e não se encontra grande aporte das leveduras, apesar dos 12 meses de contato na garrafa, após a segunda fermentação.

Cítrico e direto

Serra Catarinense, SC I 87 pontos I R$ 55

Espumante rosés catarinense feito com as tintas Cabernet Sauvignon (45%), Merlot (20%), Malbec (20%), Montepulciano (12,5%) e Cabernet Franc (2,5%) pelo método charmat com seis meses de contato com as borras. Na taça, o resultado se aproxima de um espumante branco, tanto na cor quanto nos aromas, com limão, grapefruit e grama. O estilo funciona bem como aperitivo, pois é leve, com acidez alta, predominantemente cítrico e tem bom preço.

Cítrico e fresco

Serra Gaúcha, RS I 87 pontos I R$ 61

Feito pelo método charmat, em que  a segunda fermentação ocorre em tanque, este espumante é curiosamente feito apenas com Malbec. Obviamente colhida mais cedo, resulta neste vinho com acidez elevada, toques de fermento cru e pão tostado, e frutas vermelhas frescas e leve floral. Inicialmente com notas de redução, depois de uns minutos na taça mostrou sua fruta. Perlage intenso e fino.

Estruturado e seco

Serra Catarinense, SC I 86 pontos I R$ 66,90

Feito com Cabernet Sauvignon (70%) e Merlot (30%) pelo método charmat, este espumante mostra coloração rosada mais intensa, com um toque exótico de azeitona verde no nariz, junto com frutas vermelhas frescas e terra. Bastante seco, com frescor correto e vinoso (estruturado), mostra que foi pensado para a mesa.

 

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