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Sem parar de brindar

Aproveite as festas e transforme seus drinques prediletos em coquetéis para compartilhar com toda a família

O champanhe e o espumante sempre estão ali separados, só esperando o relógio marcar meia-noite. Mas e no restante da comemoração? É verão, calor e festa  e claro que um coquetel cai bem, mas ficar preparando drinques um a um dá trabalho e são poucos aqueles que querem passar o Réveillon ou a véspera de Natal bancando o bartender. Por isso, os coquetéis coletivos são grandes aliados para as noites de confraternização. Em jarras ou em ponches, eles podem ser preparados com antecedência, além de levar quase sempre frutas e bebidas refrescantes.

Origem do ponche

Caravella punch
Caravella punch | Foto António Rodrigues

Presente nas festas americanas, o ponche foi criado na Índia. Segundo o livro Punch, do especialista em coquetelaria moderna David Wondrich, a bebida foi resultado de um experimento feito por marinheiros ingleses na Índia que misturaram destilados com limão, açúcar e água depois de ter acabado o estoque de cerveja e vinho dos navios. De volta à Inglaterra, com mais opções de insumos, os marinheiros foram sofisticando a receita. Os ingleses levaram a tradição do ponche para os Estados Unidos, que se apropriaram da bebida. Antigamente, era costume por lá festejar o fim da colheita de frutas com uma grande festa regada com a bebida.

Também símbolo de festa, a sangria surgiu na Península Ibérica. As famílias que produziam vinhos misturavam a bebida com as frutas da estação e serviam

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Negroni Sbagliato
Negroni sbagliato | Foto RJ Castilho

durante os almoços em família. Quanto ao clericot, versão de sangria com vinho branco, não se sabe ao certo se foi inventado na Europa ou na Ásia, mas foi em Punta del Leste, no Uruguai, que ele se popularizou.

Os três são considerados clássicos quando se fala em drinques coletivos, mas não são os únicos que podem ir em jarras. Heitor Marin, bartender do Seen, e Matheus Cunha, bartender do Tetto Rooftop Lounge, mostraram como adaptar os drinques que estão em alta para versões compartilhadas.

As apostas para o verão

Para quem quer aproveitar gosta de vermute, Heitor sugere o drinque negroni sbagliato, um clássico italiano que

coquetéis para compartilhar
Heitor Marin | Foto: RJ Castilho

combina a bebida com Campari e um espumante. “É uma releitura do tradicional negroni, mas sem tanta potência alcoólica e mais refrescante. Ainda tem um leve amargor, mas que fica equilibrado pela doçura do vermute”, diz. Se preferir, dá para substituir o espumante por água gaseificada. “Assim, o drinque é chamado de americano”, afirma.

Outra aposta de Heitor é o rum. “Os coquetéis com rum estão voltando. Até mesmo o mojito e o cuba libre, que são clássicos, estão sendo resgatados.” De fácil preparo, o daiquiri é uma ótima pedida para preparar em jarra e servir durante a ceia. “Além de ser um clássico da coquetelaria, é uma bebida que casa muito bem com peixes e saladas”, diz o chef.

Daiquiri
Daiquiri | Foto: RJ Castilho

Frutas e especiarias, sempre

coquetéis para compartilhar
Matheus Cunha | Foto: António Rodrigues

Os cítricos são os grandes curingas das bebidas em jarras, por isso os bartenders indicam aproveitar ao máximo nossas frutas. “Elas combinam com qualquer destilado”, diz Matheus Cunha, que também gosta de acrescentar folhas e especiarias aromáticas em seus drinques. Uma prova disso é o for all, um coquetel de cachaça que leva suco de laranja, suco de limão, gengibre, canela e anis-estrelado.

Segundo Matheus, uma dica para exaltar o sabor das especiarias é combiná-las com bebidas envelhecidas, como o rum, a tequila e o uísque. No drinque wow wow shot, o bartender mistura tequila com gengibre, cravo e canela.

For all
Wow wow shot | Foto: António Rodrigues
Wow wow shot
For all | Foto: António Rodrigues

    Borbulhas na jarra

    Espumantes, frisantes ou até mesmo água com gás. Não importa o jeito, as borbulhas têm de estar presentes nas festas de fim de ano. “Bebidas mais frisantes e com bastante gaseificação combinam com o verão”, diz Heitor, que aconselha o london french 75 para quem não abre mão do gim. O coquetel combina a bebida com espumante e limão-siciliano. “O aroma herbal do gim brinca com o toque seco do espumante e o cítrico das frutas”, diz.

    Também fã das borbulhas, Matheus sugere o caravella punch feito com espumante, água com gás, limoncello, limão e hortelã. “Para os coquetéis compartilhados, é necessário tomar cuidado com a gaseificação. A bebida com gás deve ser adicionada por último para não perder as borbulhas”, afirma o bartender.

    London French 75
    London french 75 | Foto: RJ Castilho

     

    *Matéria originalmente na edição 183 (dezembro de 2018) de Prazeres da Mesa

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    Stephanie Vapsys

    Foi vendendo cupcakes na feira de empreendedorismo da escola, aos 15 anos, que Stephanie Vapsys se encantou pela confeiteira e, posteriormente, pela gastronomia. A jovem que nunca recusa um docinho ou um convite para jantar, decidiu cursar jornalismo na Faculdade Cásper Líbero por ser fã de literatura e fascinada por contar boas histórias. Desde 2015, na redação de Prazeres da Mesa, a repórter tem a oportunidade de conviver diariamente com sua grande paixão. Entre viagens, idas ao teatro ou ao cinema sempre aproveita a deixa para conhecer um bom restaurante por perto.

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