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As boas compras de tintos italianos

Por Marcel Miwa
Fotos RJ Castilho

Sob a influência dos povos fenício, grego e romano, a Itália tem um dos cenários mais diversos entre os países produtores de vinho na Europa. A mescla de diferentes solos, relevo e clima de norte a sul, somada às mais de 500 castas autóctones, oferece aos produtores um potencial quase infinito de possibilidades. Como sempre, as leis de Denominação de Origem restringem essas alternativas e, como contrapartida, oferecem o peso da tradição e a fama das zonas demarcadas, onde as cepas viníferas e os métodos de vinificação foram depurados no decorrer dos séculos.

O Ranking de Prazeres da Mesa reuniu sua equipe composta de Marcel Miwa, Marcos Santo Mauro, Maurice Bibas, mais a sommelière Gabriela Monteleone e o enófilo e especialista em vinhos italianos Lamberto Percussi para provar 21 tintos italianos considerados boa compra. Afinal, encontrar bons rótulos dentro de uma faixa econômica de preço é, atualmente, um verdadeiro desafio para as importadoras. O restaurante Vinheria Percussi recebeu os degustadores e ainda colocou à prova a reputação dos tintos italianos de ter vocação para mesa. Como praxe, as degustações para esta seção são feitas às cegas e todas as amostras são compradas pela revista.

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Nesta faixa de entrada de preço (até R$ 110), ficou claro o confronto entre os vinhos produzidos no norte do país versus os produzidos no sul. Nas zonas setentrionais, os bons exemplares rendem vinhos claros e elegantes, que podem pecar por traços herbáceos ou pouca concentração, culpa do clima mais frio e do relevo mais montanhoso. Do outro lado, os rótulos produzidos no centro-sul da Itália rendem vinhos mais estruturados e repletos de fruta nos bons exemplares, mas que podem ter excesso de aroma de baunilha e tostado ou doçura residual em excesso, nos casos mais simples. Apenas uma amostra foi desclassificada por não atingir na degustação o padrão mínimo de qualidade. Vamos ao resultado.

Critérios de pontuação
Excepcional (de 94 a 100 pontos) | Ótimo (de 88 a 93 pontos) | Muito bom (de 83 a 87 pontos) | Bom (de 78 a 82 pontos) | Aceitável (de 71 a 77 pontos) | Não recomendado (abaixo de 70 pontos)

90 – Curatolo Arini Nero d’Avola Peccamora 2013
Sicília
Decanter, R$ 74,80
Aqui, a Nero d’Avola é cultivada na parte central da ilha, protegida dos excessos de calor. O grande mérito está no equilíbrio entre a acidez e os taninos. No nariz, fruta negra (cereja e amora) e algo de terra, sem interferência da madeira. Um exemplo de que, por vezes, menos é mais.

90 – Umani Ronchi Rosso Conero San Lorenzo 2012
Marche
Decanter, R$ 107,50
Em uma linha distinta do anterior, aqui o trabalho de enologia se mostra mais rebuscado. Os taninos da Montepulciano são sedutores (muito finos) e aparecem acompanhados de aroma de ameixa, tostado e baunilha. Um vinho de estilo moderno e bem-feito.

89 – Langhe Nebbiolo L. Einaudi 2011
Piemonte
Casa Flora e Porto a Porto, R$ 98,14
Cereja, alcaçuz e chocolate ao leite marcam o nariz neste vinho. Os taninos firmes típicos da Nebbiolo e o final quente retratam a safra 2011 na região. Um bom passo de introdução ao tinto piemontês, que melhorou com a comida.

89 – La Stoppa Trebbiolo 2013
Emilia-Romagna
PioVino, R$ 68
A complexidade dos aromas indica o estilo de vinificação natural (fermentação espontânea), com fruta negra ácida, cogumelo e leve balsâmico. A acidez é elevada e ajuda na impressão de leveza do vinho. Os taninos são discretos e finíssimos.

89- Chianti del Barone Ricasoli 2014
Toscana
Inovini, R$ 77,60
Boa riqueza aromática sem arestas na boca, este vinho foi descrito como aposta segura. Violeta, ameixa e ervas marcam o nariz, com taninos finos e acidez na medida. O sutil amargor não incomoda e um toque terroso fecha o conjunto.

89 – Mandrarossa Nero d’Avola 2013
Sicília
La Pastina, R$ 74
Licor de cereja, alcaçuz e ervas no nariz indicam um vinho sobremaduro. À boca, surpreende, pois o álcool está bem domado, os taninos são potentes, mas finos, e no final ainda aparece um toque de canela.

88 – Planeta La Segreta Rosso 2013
Sicília
Interfood, R$ 94,90
Um clássico siciliano que não decepcionou. Com estilo mais delicado, apresenta aromas de cereja, cogumelo e sândalo. Na boca, é untuoso, com concentração mediana, taninos firmes e finos. No final aparece um leve tostado.

88 – Conti Zecca Donna Marzia Negroamaro 2011
Puglia
Vinissimo, R$ 97,14
Claramente identificado como um vinho do sul da Itália, o calor da Puglia se traduz em um vinho concentrado e repleto de fruta negra madura, com algo de chocolate e couro. A diferença foi o equilíbrio na boca, com bom frescor e taninos muito bem polidos.

88 – Allegrini Corte Giara Merlot Corvina 2013
Vêneto
Inovini, R$ 63
A mescla da local Corvina com a Merlot resultou em um conjunto fácil de agradar. Fruta negra (mirtilo e ameixa) e bergamota aparecem de forma limpa, com taninos discretos, boa acidez e leve herbal final que não incomoda. Pelo preço, é ótima opção.

88 – Principe Corsini Chianti Camporsino 2013
Toscana
Domno, R$ 65,50
O tinto mais claro do painel. Este Chianti foi o vinho mais delicado da prova, com aroma de fruta vermelha fresca (morango), folhas e flores secas, taninos firmes, um pouco verdes e ótima acidez. Com um pouco mais de concentração de fruta, ficaria entre os melhores.

88 – Monte del Fra Valpolicella Classico 2012
Vêneto
Domno, R$ 87,90
Um Valpolicella muito bem-feito, com aromas limpos de cereja, chá-preto e folha seca. Na boca, os taninos são discretos, a acidez mediana, sem agressividade. A personalidade dos aromas sentiu falta de maior austeridade na boca.

88 – Venti 2009
Abruzzo
Casa Flora e Porto a Porto, R$ 66,45
Nitidamente do sul da Itália, chegou a ser confundido com um Primitivo, outra uva da região que rende vinhos potentes e com fruta bastante madura. Licor de ameixa e cacau marcam o nariz, com bom frescor, taninos compactos, tostados e erva-doce na boca.

88 – Monna Nera Tenuta di Capezzana 2013
Toscana
Mistral, R$ 73,94
Na linha do Chianti Ricasoli, este toscano foi considerado uma aposta segura, com estilo internacional. A mescla aqui é Sangiovese com Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah e Canaiolo. Fruta vermelha madura, baunilha e tosta, com taninos finos e ainda potentes, marcam o estilo deste tinto.

87 – Chianti Albola 2013
Toscana
Devinum, R$ 70
Um Chianti fácil e correto. No nariz, algo de fruta vermelha e negra (framboesa e cereja), com especiaria (canela). O vinho é leve, com bom frescor e taninos discretos. Um bom passo de entrada para tintos toscanos.

87- Banfi Centine IGT Rosso 2013
Toscana
World Wine, R$ 75,90 A mescla de Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Merlot se mostra melhor no nariz que na boca. O mix de frutas negras aparece com boa nitidez acompanhado por um toque de tabaco. Na boca, a doçura o torna fácil de degustar, mas há certo amargor final.

86 – Valle Reale Lupi Reale Montepulciano Rosso 2013
Abruzzo
Zahil, R$ 62
Um rubro leve e delicado, em um caminho oposto à fórmula tradicional da região. Os aromas de fruta vermelha (morango), groselha e tomilho são limpos e, acompanhados pela boa acidez e leve concentração, reforçam a vocação de um tinto para o verão.

86 – Chianti Cerro del Masso Poggiotondo 2013
Toscana
World Wine, R$ 86,90
Fruta vermelha cristalizada, flor seca e um toque de caramelo marcam o nariz. Na boca, o sutil amargor com os aromas de ervas lembram um vermute, com taninos finos e acidez mediana. Um tinto para tomar já.

86 – Sella & Mosca Cannonau di Sardegna 2011
Sardegna
Interfood, R$ 82,90
A Canonnau é conhecida na França como Grenache. Neste caso, o resultado foi um vinho com bastante especiaria (cravo, canela e baunilha) e fruta vermelha madura (geleia de morango). Os taninos são potentes, com leve rusticidade, e a boa acidez não deixa o conjunto muito pesado.

86 – Sangiovese di Puglia Pasqua 2013
Puglia
Mr. Man, R$ 69
A fruta vermelha e negra (morango e cereja), com toque terroso, aparece com menor nitidez. Na boca, não existem grandes arestas, apenas um toque de doçura, com acidez mediana e algo de herbal no final.

86 – Riff Rosso Dolomiti Merlot Cabernet Alois Lageder 2009
Alto Adige
Mistral, R$ 83,42
Fruta negra fresca (ameixa) e xarope de ervas marcam o nariz. Na boca, as notas herbais continuam acentuando o conjunto com taninos levemente secantes, boa acidez e textura bem trabalhada, com certa untuosidade.

* Os preços foram checados em agosto de 2015

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Prazeres da Mesa

Lançada em 2003, a proposta da revista é saciar o apetite de todos os leitores que gostam de cozinhar, viajar e conhecer os segredos dos bons vinhos e de outras bebidas antecipando tendências e mostrando as novidades desse delicioso universo.

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