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Agtech: moldando o futuro de nossas escolhas à mesa

A tecnologia funcionando como aliada da agricultura

A história dos palestrantes é quase sempre a mesma. A vontade de mudar a saga vivida por suas famílias na agricultura à moda antiga. A ideia romântica de um campo infinito e um agricultor checando a colheita sobre o seu cavalo é cada vez mais distante da realidade.

Há algumas décadas, máquinas enormes substituíram grande parte da mão de obra humana. E agora é a tecnologia ou especialmente a nanotecnologia, que permitirá a otimização. Desde o uso do solo, produção, economia de água e insumos. É a chamada Agricultura 4.0, a nova menina dos olhos no Vale do Silício e suas start ups.

Agtech

Se antes existia apenas uma “vacina” para todas as doenças, agora com a nanotecnologia é possível procurar aplicações particularizadas. Por exemplo, para pragas que atacam folhagens de diferentes maneiras.  Qual o impacto disso? Para começar, uma revisão do uso indiscriminado de pesticidas e seus malefícios sobre a agricultura e saúde humana.

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Hoje, 25 anos depois do boom da tecnologia de proteção dos alimentos, já existe uma série de novas opções à escolha dos produtores, incluindo a de não usar pesticida. A maior busca está em produzir mais por menos e não só no critério investimento. A agricultura sempre esteve à margem da revolução digital. Mas, agora, dados, softwares, robôs e sistemas inteligentes estão mudando este panorama. Drones e vigilância digital em tempo real começam a ser os grandes aliados do homem junto à natureza.

Outra novidade, são as ferramentas que permitem a cada produtor contabilizar, parametrizar e provar técnicas bem sucedidas em dados, números e estatísticas. Tudo isso permitiu à Fazenda Spronk – criadora de porcos a redução de 76% do uso do solo, 25% do uso da água e 8% em termos de eletricidade.O exemplo foi apresentado no painel.

Ali, é possível criar animais com um sensor que coleta biodados, atualizados a cada hora e hospedados na nuvem. Com isso, são disparados alertas todas as manhãs, para que o produtor possa tomar as devidas providências. A discussão ética está em deixar as espécies como são ou aplicar toda essa inovação e modificar animais, plantas e peixes para um mundo menos “químico” e mais “tech”.

Blockchain

Outro aspecto interessante é poder fazer as escolhas de tecnologias de acordo com as memórias e valores familiares e do principal: o alimento que se quer produzir. E ainda pode-se fazer a combinação, entre o aprimoramento genético e as informações disponíveis na tecnologia blockchain. Essa tecnologia permite que cada usuário tenha à mão diversos dados. Saberão sobre procedência, origem, nível de confiança, sem restrição geográfica etc.. Isso tem sido uma espécie de “Ceres digital” na lavoura 4.0.

Aqueles que participam do blockchain, blocos de dados hospedados na nuvem e acessível a todos, estão validados neste ecossistema que pactua confiança globalmente. Mas ainda assim têm a observação de campo e a intuição humana. O que muda? O desafio está em interagir com o agricultor em um novo modelo, que cria frequência de teste, erros e assertos, o que no passado era impossível. Antes, testar era uma prática anual e testar novamente, só depois da próxima estação.

Nas redes sociais, influencers e LinkedIn são alguns dos canais que começam a ser usados para recrutar talentos e chamar a atenção daqueles que podem ajudar a promover reputação do alimento sob todos os ângulos. Mentoria é uma prática emprestada da economia criativa para o agtech.

E o que esperar para os próximos 10 anos? Fazendeiros com uma formação muito melhor e mais tech. Eles terão toda a tecnologia na palma da mão, direto de seus celulares. Foi a constatação do painel sobre agtech. Estiveram ali todas as suas vertentes na ciência, regulação, comportamento do consumidor, produtor e investidor.

A evolução tech também irá ao encontro da transparência cada vez mais exigida pelo consumidor. De novo, a motivação vem do desafio de alimentar 90 bilhões de pessoas até 2050. E “boa sorte para a próxima colheita” vira coisa de amador. Quando pensamos nos agricultores brasileiros rezando para ter chuva e uma boa produção, principalmente no nordeste, o “milagre tech” é mais do que bem-vindo.

Participaram do painel: Darren Anderson – Ph.D. ,Presidente e Co-fundador da Vive Crop Protection, Alex Heine – Diretor de Customer Experience – Quantified Ag, Randy Spronk – Fazenda Spronk Borther III e Megan Vollstedt – Diretora Executiva da Iowa Agritech Accelerator

 

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