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Óleo de cannabis na gastronomia?

O canabidiol pode formar a próxima onda na coquetelaria e gastronomia, e qualquer dono de restaurante com veia para negócios deve ficar de olho nisso - mesmo que a legalização da substância leve anos, ou não aconteça nunca

Hoje, se você entrar em um bar transadinho em Denver, no estado norte-americano de Colorado, pode encontrar na carta de drinques uma margarita com CBD, óleo extraído da planta de maconha. Atravessando essa hipotética rua, talvez um donut com CBD esteja te esperando em uma confeitaria local. No dia 20 de Abril , na mesma cidade, você podia entrar em um loja da rede de fast-food Carl’s Jr. e pedir um Rocky Mountain High, lanche com o óleo de maconha no molho.

Por Bruno Lazaretti

Desde que o debate mundial sobre maconha e seus derivados amadureceu há alguns anos, entramos em um campo de pequenas batalhas jurídicas. Além de regulamentações sobre o uso medicinal de CBD e o uso recreacional de THC. São coisas bastante diferentes. O THC enquanto droga recreativa foi legalizado em 10 estados americanos. E também no Canadá, Uruguai, Peru, Espanha, África do Sul e Amsterdã. Bom para eles.

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Mas o debate que importa à gastronomia, por ora, é sobre o CBD, ou canabidiol. Essa substância não psicoativa é extraída da Cannabis sativa primariamente para uso medicinal. Isso porque ajuda a aliviar sintomas de doenças crônicas e neuropáticas como Parkinson, esclerose múltipla e glaucoma. No Brasil, a Anvisa tirou a substância da lista de psicotrópicos proibidos em 2015. Hoje é possível, embora custoso e burocrático, medicar-se com a substância desde que se possua uma receita. Os demais usos seguem proibidos. Por ora.

Para pessoas perfeitamente saudáveis, o consumo de CBD aparentemente reduz o estresse, a ansiedade e permite um sono mais profundo. Isso, portanto, encaixa a substância em um espectro de produtos para o bem-estar. Em bebidas e comida, o sabor herbáceo pode ser regulado de acordo com a dose e o preparo. Desse modo, tornaria um ingrediente mais divertido do que de fato transformador; bem-estar à parte, alimentos com a substância exercem forte poder de atração a clientes em busca de novidades.

O uso na gastronomia

Nos EUA, o barman Jason Eisner, do bar Gracias Madre, em Los Angeles, foi o primeiro a incluir o óleo de CBD em seus coquetéis. A ideia ficou tão popular que se espalhou para estabelecimentos ao redor dos EUA em que a legislação permite o uso da substância em produtos alimentícios. Ironicamente, no fim de 2018, o estado da Califórnia proibiu especificamente o uso do CBD em preparos alcoólicos. Com isso, o inventor da moda ficou proibido de comercializar seus drinques.

Mas uma batalha perdida não é uma guerra perdida. A indústria de alimentos que o diga. A Anheuser-Busch InBev já investiu US$ 100 milhões em uma parceria com a empresa de cannabis medicinal Tilray para desenvolver bebidas com CBD e THC.

Já a Constellation brands, que produz a cerveja Corona, fez um aporte de US$ 4 bilhões em uma produtora de maconha do Canadá para participar dos negócios. Ou seja, se até na indústria de alimentos já existe uma febre ou bolha atrás da substância, o que se dirá da gastronomia, que sempre trabalhou na fronteira da alimentação humana? No mais conservador do casos, o CBD na gastronomia será uma moda passageira. O que já é motivo o suficiente para que você, que tem um negócio da gastronomia, colocar a erva no radar.

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