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DE MÃOS DADAS

Por Flávia G. Pinho

Aliança dos Cozinheiros, que visa estreitar a relação com o pequeno produtor, chega oficialmente ao Brasil

Não é de hoje que o Slow Food defende a importância dos cozinheiros como promotores do alimento bom, limpo e justo. Desde o Terra Madre 2006, quando mais de 1000 profissionais de vários países se reuniram em Turim para construir as bases iniciais dessa campanha solidária, o projeto Aliança dos Cozinheiros vem crescendo de forma exponencial – em 10 anos, cerca de 400 cozinheiros da Itália, Albânia, Canadá, Holanda, Marrocos e México já assinaram o termo de adesão e assumiram o compromisso de estabelecer relação direta com os pequenos produtores para conhecer de perto a realidade em que vivem e compartilhar de seus saberes tradicionais

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Agora, chegou a vez de o Brasil aderir à campanha. No fim de janeiro, em São Paulo, foi dado o pontapé inicial – a chef Claudia Mattos, líder do Convívio São Paulo e responsável pela cozinha do Espaço Zym, foi a anfitriã do primeiro encontro da Aliança brasileira. Membros do Slow Food se sentaram à mesa com as chefs Heloísa Bacellar, do Lá da Venda; e Priscilla Herrera, do Banana Verde, ambos na capital paulista; além do professor de Gastronomia Ricardo Maranhão, da Universidade Anhembi-Morumbi, para traçar as primeiras metas do projeto. A ideia é arregimentar um número expressivo de profissionais. “Os cozinheiros são os melhores intérpretes de seus territórios e podem valorizar os produtos locais com sabedoria e criatividade, dando a justa importância aos guardiões da biodiversidade”, diz Claudia.

Segundo a líder do convívio, engajar novos membros não tem sido problema. “Desde o ano passado, quando lançamos a ideia no Terra Madre, na Itália, noto cada vez mais cozinheiros envolvidos com a proposta. Logo, vi que seria fácil a Aliança acontecer no Brasil e, de fato, o projeto rapidamente ganhou corpo.” A questão fundamental, ela emenda, é unir esforços para desatar os nós da cadeia produtiva. E, quando os cozinheiros se reúnem para conversar, fica fácil notar que são sempre os mesmos. “Todos que querem priorizar ingredientes locais e valorizar o Brasil esbarram em problemas comuns, como a dificuldade de acesso ao pequeno produtor e a falta de logística. Por isso, é tão importante que todos troquem experiências.”

Entre as prioridades da Aliança dos Cozinheiros está o contato estreito entre chefs e as Fortalezas Slow Food, projeto que tem como objetivo preservar produtos tradicionais em risco de extinção. Hoje, são oito no Brasil: castanha de baru; arroz vermelho; guaraná nativo Sateré-Mawé; licuri; néctar de abelhas nativas; palmito juçara; pinhão da serra catarinense e umbu. Da mesma forma, a Aliança mira nos produtos listados no catálogo Arca do Gosto, que contém 50 itens brasileiros. Mas o alcance do movimento, segundo Claudia, pode e deve ser bem maior – toda e qualquer tradição gastronômica local que possa contribuir para a preservação da biodiversidade precisa estar no alvo dos cozinheiros da Aliança.

Aderir é fácil e custa bem pouco. O único requisito é que o profissional se associe individualmente ao Slow Food e pague a anuidade, no valor de 50 reais (mais informações no site slowfoodbrasil.com). Na ficha de adesão, o candidato assume uma série de compromissos (leia abaixo). Em contrapartida, ganha o direito de exibir, em seu restaurante, o selo internacional da Aliança dos Cozinheiros – a imagem de um garfo e um ancinho em perfeita conexão. Como deve ser.

Lista do bem

Conheça alguns dos compromissos que os membros da Aliança dos Cozinheiros devem assumir:

▪ Respeitar a sazonalidade dos ingredientes;

▪ Usar o maior número possível de produtos locais bons, limpos e justos;

▪ Divulgar e apoiar as campanhas do Slow Food, como a Slow Fish, que antecede a Semana Santa, e a Festa Junina sem Transgênicos, realizada anualmente;

▪ Indicar o nome dos produtores no cardápio do restaurante;

▪ Organizar um evento dedicado ao projeto ao menos uma vez por ano, com parte do lucro revertida à Fundação Slow Food para a Biodiversidade.

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De mãos dadas

Da redação
Foto divulgação

Laurent Trochain, chef do Les Chefs Châteaux & Hôtels Collection, cozinhará para convidados no WTC, localizado na Avenida das Nações Unidas, 12559 – Brooklin Novo São Paulo.

parceria
Entre os dias 12 e 21 de junho a Câmara do Comércio da França – Brasil (CCFB) organiza a quarta edição da Semana Francesa no Brasil. Na programação,  o WTC Events Center traz o renomado chef Laurent Trochain, proprietário do restaurante Número 3 e presidente do comitê de honra do guia Châteaux & Hôtels Collection, que tem como fundador Allain Ducasse.

O objetivo do evento é realizar uma troca de experiências culturais e gastronômicas entre chefs brasileiros e franceses.

Entre os dias 16 e 17 de junho, o chef organizará dois jantares para membros associados e não associados da CCFB e utilizará técnicas da culinária francesa com ingredientes tupiniquins.


De acordo com a organização, a chegada do Le Chefs Châteaux & Hôtels Collection ao Brasil, é apenas o início da parceria com o WTC Events Center/ Sheraton São Paulo.

 

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Prazeres da Mesa

Lançada em 2003, a proposta da revista é saciar o apetite de todos os leitores que gostam de cozinhar, viajar e conhecer os segredos dos bons vinhos e de outras bebidas antecipando tendências e mostrando as novidades desse delicioso universo.

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