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Dia Mundial do Saquê

Celebrado em 1º de outubro, marca o encerramento simbólico da colheita do arroz no Japão

Em várias partes do mundo, em 1º de outubro é o Dia Mundial do Saquê. A data celebra o encerramento simbólico da colheita do arroz, no Japão. Ou seja, a chegada de uma nova safra de grãos prontos para a produção da bebida.

Na ocasião, os produtores de saquê desejam um bom descanso aos agricultores, assim como recebem a torcida para que seja uma ótima safra de saquê. E, juntos, bebem.

Antigamente, quando terminava a colheita do arroz, os agricultores ficavam sem trabalho por causa da neve que toma conta dos campos no inverno. Muitos, então, procuravam ofícios em fábricas de saquês, onde permaneciam até a chegada da primavera, no final de março.

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Hoje, a cada ano surgem novos profissionais dedicados à bebida, principalmente saquê sommeliers. E, nessa época, é comum ver as redes sociais tomadas por degustações de saquê acontecendo pelo mundo.

Nós, claro, não podíamos ficar de fora. Então, às 6 horas da manhã do dia 1º, tive uma ideia: invadir um restaurante ou um boteco japonês (izakayas) com uma garrafa gigante de 1,8 litro. O objetivo não poderia ser outro: celebrar o Dia do Saquê com quem estivesse no local, conhecendo as pessoas ou não.

Fotos: Sergio Kenji Mizoguchi e Diogo Bucci

Assim o fiz durante a noite daquele dia. Momentos antes de chegar, chamei o Diogo Bucci, sake expert formado na 1ª turma da Japan Sake Association (JSA) no Brasil, para me dar uma força. 

E o local escolhido foi o charmoso izakaya na Vila Clementino, o Omoide Sakaba. Afinal, um dos sócios é da mesma turma formada de saquê sommelier.

Omoide, por sua vez, quer dizer  “lembrança” e, no caso, boas lembranças. A casa nasceu da amizade entre os pais dos sócios e a segunda geração canalizou esse sentimento em um izakaya. Desse modo, no salão do restaurante vemos a perfeita harmonia entre os japoneses e brasileiros. Isso porque os sócios dominam bem os dois idiomas. Além disso, sua simpática equipe conta com alguns membros que falam japonês e outros,  português.

O saquê escolhido

O rótulo que escolhi nesta ocasião foi um tradicional: o Mitsutake Kinpa Extra Seco Especial. Ele tem aromas mais discretos e mostra potência logo que entra na boca, até engolir o líquido.

Foto: Sergio Kenji Mizoguchi

O sabor marcante combina com pratos bem condimentados, com curry, tabasco, pimenta. Pratos que pegam fogo. Esse saquê é produzido na ilha sul do Japão, em Kyushu, na província de Saga, que tem o mesmo clima do Brasil. Assim, a harmonia entre o saquê e a nossa gastronomia é certeira. 

Escolhemos traze-lo com a Aruki, importadora de saquê que detém o direito de 13 marcas do Japão. Os sócios Hiroyuki Masabuchi e Claudio Shigue nos presentearam com um belíssimo saquê Jôyou de Kyoto. Frutadíssimo e elegante, é encorpado e com final curto. Remete bastante a Kyoto e sua gastronomia intensa.

O que mais importa

Foto: Alexandre Tatsuya Iida

Acho que o mais legal de todo esse trabalho – e espero que muitos que trabalham com bebida concordem comigo, é ir além do dia a dia. Podemos questionar dados, técnica e informações. Dizer que meu saquê é isso e o seu é aquilo. O modo correto de se tomar, o recipiente, a frescura toda. Isso engessa e sufoca o consumo da bebida. Tanto para nós, que oferecemos a bebida, quanto para quem produz, o objetivo maior é reunir as pessoas, amigos e família. 

Em um mundo onde cada vez há mais o egoísmo e o individualismo e onde as pessoas não desgrudam de seus celulares, a bebida alcoólica (quando consumida moderadamente) nos liberta. É ela quem nos tira dessa loucura tecnológica e relembra que há pessoas ao nosso lado. É o momento de aproveitemos mais o convívio com as pessoas.

Brindemos a vida! Kampai!

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Alexandre Tatsuya Iida

É embaixador de saquê no Brasil, título mais conhecido como Sake Samurai, outorgado por The Japan Sake Brewers Association Junior Council

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