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É um Pinot Noir?

Aromas frutados, alta acidez e taninos pouco presentes fazem da Pinot Noir uma das uvas mais procuradas pelos consumidores modernos

A grande maioria dos vinhos é feita para ser consumida jovem. Portanto, as características que estarão presentes nesses vinhos serão as primárias. Provenientes da uva depois da fermentação alcoólica e, eventualmente, as secundárias. Se forcarmos nas características primárias de um vinho feito a partir da Pinot Noir, chegamos a algo como: predominância de aromas de frutas vermelhas, alta acidez, baixo nível de taninos e corpo de leve a médio. Então, além das primárias, fatores como o contato com madeira levam a aromas secundários de especiarias, como gengibre, canela e pimenta branca, entre outros.

Com essas características, não é à toa que a Pinot Noir já é há tempos uma uva que está em voga: não pelos exemplares complexos e longevos que encontramos, por exemplo, na Bourgogne, o local de origem da casta, mas justamente por suas características primárias, que acompanham  a evolução do gosto moderno para vinhos menos tânicos e com menor peso em boca.

Nesse contexto, então, vinhos de uvas com características primárias e secundárias próximas à Pinot Noir também estão sendo cada vez mais procurados. Na verdade, a Pinot é uma uva muito antiga, e que pode facilmente sofrer mutações. As castas Pinot Blanc, Pinot Gris e Pinot Meunier, por exemplo, têm o mesmo DNA e são mutações da Pinot Noir. Dessa forma, ela também pode ser a “mãe” de muitas outras uvas.

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E onde encontrar a Pinot Noir e suas assemelhadas pelo mundo?

Além das regiões consideradas como a “realeza” para a Pinot Noir, como Bourgogne, na França, e Oregon, nos Estados Unidos, temos várias outras regiões que produzem excelentes vinhos que ficam no limiar entre ser consumidos jovens e com alguma longevidade. Bons exemplos são Sancerre e Menetou-Salon (França), Rheingau e Rheinhessen (Alemanha), Martinborough e Central Otago (Nova Zelândia), Casablanca e San Antonio (Chile), Hemeel-en-Arde (África do Sul) e Patagônia (Argentina).

E para quem quiser provar vinhos tintos com características primárias que lembram a Pinot Noir, temos algumas sugestões: Trousseau e Poulsard, no Jura (França); Cinsault em várias partes do mundo, como Chile e África do Sul; Gamay, em Beaujolais e Savoie (França); Sciaccarello, na Córsega (França). E, se a vinificação minimizar a maceração, vinhos feitos com a Nebbiolo, no Piemonte (Itália), também podem se assemelhar à Pinot Noir.

INDICAMOS

Domaine Tissot, DD 2017

Arbois, Jura, França

R$ 266, De la Croix   

Vinho biodinâmico delicado, com 12% de graduação alcoólica, baixos taninos, alta acidez e aroma predominante de frutas vermelhas. Ótimo para se beber jovem, mas com bom potencial de envelhecimento. O blend é de partes iguais de Pinot Noir, Poulsard e Trousseau. Provavelmente, se beneficiará de uma decantação antes de beber, e pode ser consumido levemente mais fresco do que um vinho tinto mais encorpado (em torno de 15 °C).

 

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