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O triunfo da Chenin Blanc

A versátil variedade branca aposta na vivacidade para despertar paladares curiosos, seja nas versões clássicas do Loire ou nos modernos e vibrantes exemplares sul-africanos

Desde fevereiro, a Enocultura é nossa nova parceira e passa a assinar uma coluna em nosso Caderno de Vinhos. Em seu primeira colaboração, a marca que reúne profissionais experientes no segmento etílico falou sobre a versátil variedade de uva branca Chenin Blanc.

Quando o assunto é vinho branco em estilo seco, a aromática Chenin Blanc tem tido crescente destaque. Justamente por esse caráter e pela acidez elevada, ela se apresenta como alternativa a outras uvas célebres com essas características, como a Riesling e a Sauvignon Blanc. Mas sua versatilidade é marcante. Ela consegue manter vivacidade mesmo em lugares mais quentes, nos quais muitas outras uvas aromáticas perderiam essa característica. Nesse sentido, ela se aproxima um pouco da Chardonnay. Também pode variar enormemente de acordo com o local onde cresce e as escolhas de vinificação.

Não é fácil identificar um vinho de Chenin às cegas. Além de aroma tipicamente cítrico, ele pode alcançar muito mais complexidade com notas de pera, pêssego e de ervas. Assim como de mel e, no caso de uma vinificação mais oxidativa, maçã madura. Os vinhos, de forma geral, terão alta acidez e corpo ligeiro. Mas o que os torna muitas vezes intrigantes é justamente a sutileza ao redor desse estilo básico. A acidez nem sempre é tão pronunciada. O corpo nem sempre tão leve, e o aroma pode ser menos conhecido do que o de uvas clássicas.

Berço da Chenin

O Vale do Loire é considerado o berço da Chenin, com vinhos tranquilos e secos. Eles podem alcançar grande estrutura e complexidade. Nomes como Savennières, Coteaux de l’Aubance, Vouvray e Montlouis-sur-Loire são referências conhecidas. Entretanto, a nova “meca” dessa uva tem sido a África do Sul, que já se tornou o maior produtor no mundo, e que tem investido cada vez mais em alta qualidade.

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Os melhores exemplos sul-africanos vêm da região próxima de Cape Town, como Paarl e Stelenbosch, e de Swartland, mais a noroeste. É interessante guardar alguns nomes como referência. Em primeiro lugar, alguns cultivadores de Chenin Blanc de alta reputação, como Christa von La Chevallerie e Basie van Lill, que fornecem suas uvas a produtores da região. Depois, alguns produtores de destaque desse movimento, como Anthonij Rupert, DeMorgenzon, Mullineux & Leeu Family Wines, Raats, Reyneke e Stellenrust, só para citar alguns. Por fim, temos Rosa Kruger, como personagem de destaque nessa tendência, com seu Old Vine Project (OVP), um grande esforço de mapear as vinhas velhas da África do Sul, cujos rendimentos são mais limitados e resultam em vinhos de maior concentração.

Domaine Baumard, Clos Saint Yves 2016

Savennières, Vale do Loire, França

R$ 284, Mistral 

Com vinhas de cerca de 35 anos e solo de xisto-arenoso, é um vinho sem madeira, que passa por um período de nove meses em contato com as borras. Com notas de frutas cítricas e verdes, mineralidade e alta acidez, tem alto potencial de envelhecimento. Teor alcoólico de 13,5%.


 

 

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