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Ideias para o novo mandato presidencial

Como é de conhecimento geral, o vinho no Brasil  sofre diversos problemas. Entre eles, o consumidor não tem o hábito da ingestão regular da bebida (uma taça por refeição), como acontece em tantos países produtores de vinho, os preços são absurdos para a maioria das pessoas, há uma excessiva e insensata burocracia governamental e, claro, os impostos são abusivos e muitos deles sobrepostos.

Mesmo assim, se considerarmos o potencial de consumo da bebida, podemos afirmar facilmente que há possibilidade para um crescimento dez vezes maior do que o volume atual. A conta é bastante simples, falo de 30 milhões de brasileiros que têm renda suficiente para beber pelo menos uma garrafa de vinho por semana. Vale lembrar que o recomendado pelos médicos, de uma taça por refeição, daria o triplo disso.

O novo presidente do Brasil terá uma oportunidade rara de ajudar o setor do vinho e fazer um teste de verdadeira revolução na administração, gerando crescimento, emprego e fazendo crescer sua receita em  tributos (impostos, taxas e contribuições). Bastaria baixar uma Medida Provisória, que no caso seria mesmo “provisória”, com duração de dois anos, em que todos os tributos de toda a cadeia produtiva do vinho brasileiro e do vinho importado seriam reduzidos para 30% dos valores atuais. O que é 12 passaria para 4, e o que é 18 passaria para 6, e assim por diante. Conta simples. Com isso, não seria necessário mudar nada em termos de estrutura de tributos, apenas os valores das alíquotas.

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Em contrapartida, o setor, representado por suas associações, se comprometeria a destinar 20% dessa economia para uma campanha de comunicação para difundir o hábito salutar de beber uma taça de vinho por refeição. O risco para o novo governo é nulo, pois o vinho representa apenas 0,01% do PIB, ou seja, nada. E ainda assim, ele poderia fazer um teste e verificar se gerou mais consumo, mais emprego, como ficou sua arrecadação de tributos e até medir os níveis de alcoolismo.

Se não funcionar, nem precisaria cancelar a medida que, por ser provisória, teria prazo determinado para acabar. Se funcionar, poderá progressivamente ser aplicada a outros setores da economia.

Por que não fazer? Só depende de vontade política, pois a saúde do povo certamente melhoraria sensivelmente, o que também poderia representar economia em saúde.

Infelizmente, do atual governo não se deve esperar por nenhuma mudança. A presidente e seu ministro Peppe Vargas estiveram na Festa da Uva, no Rio Grande do Sul, prometeram no palanque ajudar o setor, mas, quando a Câmara enviou o projeto do SuperSimples incluindo o setor do vinho, ele foi vetado na Presidência. Ou seja, foram falsos e cederam à pressão. A quem interessa que o SuperSimples não venha para os pequenos produtores, importadores e comerciantes de vinho? Você saberia dizer?

Tenho um palpite: basta imaginar que tipo de indústria não iria querer que os deliciosos espumantes de Adolfo Lona, Estrelas do Brasil ou Luiz Henrique Zanini, só para citar três grandes produtores, custassem mais barato.

 

 

 

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