Colunas

Insisto nas bag-in-boxes

Muito se discute sobre o consumo de vinho no Brasil. Há bastante a se fazer, sem dúvida. Degustar, divulgar, promover. Não há outro caminho, pois precisamos assumir uma cultura, hábitos que não temos, o do vinho como complemento alimentar, uma taça por refeição. Em qualquer país europeu, esse hábito está na casa de todos, faz parte de sua cultura. Aqui, até o governo não entende o vinho como alimento e o taxa como supérfluo

Entre as iniciativas que vejo como produtiva é o uso do bag-in-box em bares e restaurantes.  Sei que, no passado, quando o Marcelo Toeldo passou pela Miolo, foi tentada uma ação nos bares, com máquinas de vinho que eram na verdade bag-in-boxes dentro de totens legais e sedutores. Na ocasião, eu me lembro do Marcio Marson, então diretor comercial em São Paulo, contando da dificuldade de os donos de bares entenderem que dobrar o capital no vinho seria um bom negócio. Na época, uma taça que deveria ser vendida a 2,50 reais para concorrer com o chope de então, era comercializada a 10 reais! Ou seja, não vendia. O projeto foi abandonado. Uma pena.

Enquanto o ponto de venda quer ganhar com vinho o que lucra em destilado, no qual uma ou duas caipirinhas pagam o preço da garrafa de vodca ou de cachaça, a coisa não andará. É preciso entendimento sobre isso.

Outro dia comprei um gostoso vinho em bag-in-box, o Terra Mãe, de Aragonês e Castelões, da Adega Cooperativa da Vermelha de Portugal. Comprei em um depósito de bebidas da Granja Viana, em São Paulo, e paguei 99,90 reais por 5 litros. Estamos falando de 33 taças de 150 mililitros a 3 reais cada uma. Pois tenho certeza de que se um restaurante entregar nas mãos de cada cliente que chegar uma meia tacinha, digamos, de 75 mililitros, como prova, a maioria pedirá uma taça de 150 mililitros ao saber que custa, digamos, 6 reais.

Continua após o anúncio

Quem hoje tem uma taça de vinho a 6 reais? Isso criaria o hábito. A taça vendida cobriria a meia taça oferecida. Investindo dois bag-in-boxes (BIB) dessa forma, não tenho dúvida de que o restaurante criaria mercado para o vinho, dobrando seu capital em cada taça. Considero que seria bem fácil vender 33 taças de vinho por dia em qualquer restaurante. Estamos falando em 100 reais de ganho diário, de ganho novo, diga-se. Estamos falando de 3.000 reais por mês, que esse restaurante não tinha.

O mais importante é que esse público certamente criaria o hábito e, com o tempo, subiria de categoria de vinho. Porém, é preciso trabalhar, não adianta esperar que o cliente peça. Há que colocar a taça na mão dele. Acredito e insisto nos BIB. Há diversos brasileiros muito bons, como os Arbo, os Miolo, os Boscato, os JP, Dom Guerino, Do Lugar, Larentis etc., mas não se os encontra. Só na web.

Se pensarmos no consumidor final, então, as vantagens são inúmeras. Praticidade, uma taça por dia, ao preço de 3 reais, um gasto só no mês, quando ele recebe a aposentadoria ou o salário, o vinho está embalado a vácuo, portanto dura bem, pode criar o hábito diário.

Espero que se promova o BIB, que se embalem vinhos superiores em BIB, pois há mercado, torço para que se divulgue o BIB, que se promova o BIB, que se deguste o BIB. Alguém já viu degustação de BIB em ponto de venda? Eu nunca vi. Se não nos mexermos, a coisa não mudará.

Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo