Prazeres da mesa

Não precisa ser caro

Por: Prazeres Da Mesa | 12.nov.2014

Os tempos em que qualquer rótulo novo nas prateleiras era acolhido de braços abertos, independentemente do preço, já vão tão longe que quase nos interrogamos se realmente existiram. Muita coisa mudou desde os gloriosos anos de ouro do final da década de 1990. A atitude do consumidor perante o vinho é outra, totalmente diferente. No Portugal de hoje, o apreciador de vinhos faz aquilo que os seus congêneres ingleses, holandeses ou suecos já fazem desde há muito: procuram marcas sólidas, com boa imagem e, acima de tudo, com ótima relação qualidade-preço.

Na gama média da escala de preço (que, no Brasil, se situará entre os 70 e os 100 reais), Portugal origina um considerável número de rótulos de muito bom nível, oriundos das mais variadas regiões, de norte a sul do país, e produzidos a partir de uvas muito diversas.

Com a chegada do (ameno) Inverno brasileiro, lembrei-me de elencar um conjunto de vinhos tintos nesta faixa de preço, vinhos capazes de dar muito prazer a beber sem puxarem demasiado pela bolsa.

Muitos destes rótulos são bem conhecidos no Brasil, outros nem tanto. Começando pelo Douro, não perca as novas safras dos já clássicos Vallado, Duorum, Crasto, Duas Quintas, Meandro do Vale Meão ou Vinha Grande. Mas não desperdice a oportunidade de conhecer outros belos tintos durienses como os Altano Quinta do Ataíde, Zom, Contraste, Assobio, Quinta de S. José, Maritávora, Terra a Terra, Castelo d’Alba Vinhas Velhas, Hidrângeas Reserva ou Flor das Tecedeiras, este último agora nas mãos do empresário brasileiro Marcelo Lima.

A par do Douro, também o Alentejo recebe as preferências de inúmeros apreciadores brasileiros. Neste segmento de preço avultam marcas bem conhecidas como Adega de Borba Premium, Vila Santa, Conde d’Ervideira, José de Sousa ou Paulo Laureano Premium. Muitos e bons negócios encontram-se igualmente em rótulos como Monte da Peceguina, Tapada do Barão Reserva, Bombeira do Guadiana, Herdade do Peso, Herdade do Rocim, Monte Mayor, Monte da Raposinha, Quatro Caminhos, Monte da Ravasqueira, Alento Reserva, Herdade do Sobroso, São Miguel Touriga Nacional, Aventura e ainda em marcas menos badaladas de grandes produtores, como Foral de Évora (da Adega da Cartuxa) e Quatro Castas (da Herdade do Esporão).

Quem prefere sair fora do “mainstream” e explorar outras zonas de Portugal, tem muito por onde escolher. A região do Dão apresenta excelentes propostas neste segmento, caso dos tintos Casa de Santar Reserva, Ribeiro Santo Reserva, Titular Touriga Nacional, Campolargo, Quinta da Vegia, Quinta de Pinhanços, Casa da Passarela Reserva, Porta dos Cavaleiros Touriga Nacional, Pedra Cancela Reserva, Paço dos Cunhas de Santar Nature, Quinta dos Carvalhais ou Quinta de Saes Reserva. Os apreciadores da frescura atlântica das regiões de Lisboa e Bairrada, encontram, no primeiro caso, rótulos como Dory Reserva, Quinta do Gradil Petit Verdot, Sanguinhal Cabernet-Aragonez, Touriz, Grand’Arte Touriga Nacional, Quinta de Chocapalha Cabernet e Vale da Mata Reserva; e no segundo, avultam Quinta do Valdoeiro Reserva, Luís Pato Vinhas Velhas, Rol de Coisas Antigas (da casa Campolargo), Colinas Reserva ou Quinta das Bageiras Reserva.

Entre o perfil mais maduro do Douro e Alentejo o mais tânico e fresco da Bairrada e Lisboa, ficam regiões como Península de Setúbal, Tejo ou Beira Interior. Pasmados e Quinta da Mimosa são dois rótulos a ter em conta na primeira, enquanto as terras ribatejanas acolhem referências muito interessantes nesta ordem de preços, como Conde de Vimioso Reserva, Quinta da Alorna Touriga Nacional-Cabernet e Quinta da Lagoalva Syrah-Touriga Nacional. A não perder igualmente, um tinto das terras altas da Beira Interior, o Quinta dos Termos Vinhas Velhas.

Acredito que cada vez mais apreciadores brasileiros estão fazendo como muitos europeus e olhando mais atentamente para o valor do dinheiro no ato de comprar. No que respeita a vinho, já muitos perceberam que não precisa ser caro para ser (muito) bom.

Luis Lopes

*Além de um apreciador das boas taças, é diretor da Revista de Vinhos, de Portugal

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