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Nas voltas do caracol

Ao pensar no alimento como ferramenta de transformação social, o Projeto Caracol atua com práticas educativas em diferentes comunidades brasileiras

O Projeto Caracol nasceu no início de 2018, como iniciativa do Grupo de Trabalho (GT) Slow Food Brasil Educação. O programa atua em comunidades de baixa renda, de diferentes culturas e biomas brasileiros. Entre os objetivos, estão: promover a segurança alimentar e a reflexão sobre a cadeia do alimento. Proteger o patrimônio cultural e incentivar a participação nas discussões sobre políticas públicas alimentares. Além de aliar a produção local à geração de renda.

Com o apoio da Misereor, o projeto atualmente está na Comunidade Chico Mendes (Florianópolis, em Santa Catarina), no Acampamento Paulo Botelho (Ribeirão Preto, em São Paulo) e na Enseada da Baleia (Cananeia, em São Paulo). Além disso, uma nova articulação vem sendo construída. Ela será em uma comunidade quilombola de Eldorado, no Vale do Ribeira, no interior paulista.

É a partir da realização de oficinas e da sistematização de metodologias para aplicar políticas públicas de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) que os ativistas agem nas comunidades envolvidas. Assim, podem entender as necessidades locais e planejar ações. O lema do Caracol é: fortalecimento, autonomia e participação social em comunidades produtoras de alimentos. E tem a educação do gosto como um dos pilares para as práticas educativas. Segundo a historiadora Gabriella Pieroni, de Florianópolis, o conceito foi adaptado para a realidade do país.

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“Procuramos dar uma faceta mais política para a educação do gosto. Temos de enfrentar uma série de desafios no contexto brasileiro. Percebemos que apenas os treinamentos dos sentidos, que vêm de uma realidade europeia, não eram suficientes para fortalecer o tema”, diz Pieroni.

Processo de realocação territorial

A Enseada da Baleia, cujas demandas são articuladas pela bióloga Marina Vianna, passa por um processo de realocação territorial. As oficinas de sensibilização do gosto contribuem para a revalorização da cultura tradicional, à medida em que trabalham a retomada de preparos típicos e a criação de receitas com o pescado produzido na nova área.

No Acampamento Paulo Botelho, sob a articulação do educador Fúlvio Iermano, o foco está nas oficinas de ecogastronomia. A partir da utilização de alimentos produzidos pelo manejo agroflorestal. Elas visam a aproveitar os recursos locais e a agregar renda por meio do processamento simples desses produtos. A integrante da Aliança de Cozinheiros Slow Food Adriana Vernacci também esteve no local ministrando oficinas de ecoculinária.

Para fechar 2018, a Comunidade Chico Mendes, cujo projeto Revolução dos Baldinhos soma mais de dez anos de sucesso na gestão de resíduos orgânicos, inaugurou a Cozinha Mãe. Por meio de oficinas de educação alimentar e formação de cozinheiras, a iniciativa visa a dar subsídios para a geração de renda com base na produção local, além de promover a atuação com autonomia nas escolas e na comunidade.

Articulada por lideranças femininas, a cozinha conta com o apoio do Projeto Caracol. Para a mobilizadora comunitária Cíntia Cruz, vem totalmente ao encontro da proposta. “Ter o desenvolvimento com a comunidade, de poder oferecer cursos e estruturar esse espaço para os moradores são os grandes diferenciais que possibilitam nossa emancipação e a transformação social”, diz Cíntia. Em dezembro de 2018, a também integrante da Aliança de Cozinheiros Slow Food Cláudia Mattos esteve na cozinha comunitária. Ela falou sobre o aproveitamento total da bananeira nas receitas.

*Por Ana Mosquera

 

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