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Naturebas brasileiros

No mundo, a produção orgânica só cresce. Por aqui, há um longo caminho, mas já temos bons exemplos de rótulos

O Brasil vem mostrando excelentes resultados nessa linha de vinhos naturebas. Já podemos falar em 13 vinícolas e cerca de 50 rótulos. O pioneiro foi o Juan Luis Carrau que em 1997 lançou o primeiro vinho orgânico brasileiro e ainda hoje produz exemplares maravilhosos de Cabernet Sauvignon e Gewürztraminer – deliciosos e sinceros. Hoje podemos mencionar, além de Carrau, Era dos Ventos, Dominio Vicari, Eduardo Zenker, De Lucca, Vinha Unna, Hex Von Wein, Bianchettino, Santa Augusta, Vinetica, Serena, Tormentas e Entre Vilas.

A onda natureba é crescente no mundo, não só nos vinhos. Basta dizer que segundo o FIBL – Instituto Alemão de Pesquisas da Agricultura Orgânica (fibl.org), a agricultura orgânica é praticada em 164 países, totalizando  37,5 milhões de hectares de terras e o trabalho de 1,9 milhões de agricultores! Isso totalizou uma venda de alimentos e bebidas na ordem de 64 bilhões de dólares em 2012. Segundo a mesma fonte, os mercados mais fortes em 2012 para orgânicos foram: Estados Unidos, Alemanha e França, embora per capita os primeiros foram Suíça, Dinamarca e Luxemburgo.

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É curioso e auspicioso notar que 80% da produção de orgânicos estão nos países em desenvolvimento e de mercados emergentes. A Austrália lidera com folga a lista com uma área de cultura orgânica de 12 milhões de hectares. A segunda é a Argentina e aparece com 3,6 milhões de hectares. Estados Unidos aparecem em terceiro com 2,2 milhões de hectares e China, em quarto com 1,9 milhão de hectares. Em 11º aparece o Brasil com 705 mil hectares orgânicos. É bem pouco pela extensão territorial.

O mais importante, porém, é notar que os atuais 37,5 milhões de hectares de cultivo orgânico no planeta eram em 2000 apenas 14,9. Ou seja, mais que dobrou. No caso das uvas, o plantio orgânico saiu de 87.557 hectares em 2004 para 284.265 hectares em 2012.

Na Serra Gaúcha, segundo informações do Cadastro Nacional de Produtos Orgânicos, em 2013 existiam 458 hectares de uva em produção certificada orgânica, 123 hectares em processo de conversão e 91 hectares em implantação, que totalizaram 672 hectares com uma produção de 7,8 milhões de toneladas de uvas orgânicas! Acontece que em 99% dos casos, o destino dessas uvas é a produção de suco.

É de se esperar o crescimento em uvas vitis-viníferas orgânicas. Assim espero, pois o que temos como amostra são vinhos excepcionais. Basta dizer que na Feira de Naturebas da Enoteca Saint Vin Saint, houve quem preferisse o Dominio Vicari Branco de Riesling Itálico, ou o Era dos Ventos Peverela, ao Coulée de Serrant Vieux Clos. Aliás, um produtor de Cru de Beaujolais, a quem ofereci o mesmo vinho, me disse não gostar muito desses “tipos” Coulé de Serrant – que tal? Experimente os naturebas brasileiros e não fique querendo achar defeitos. Faça diferente, encontre suas qualidades. Saúde!

 

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