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O futuro da acquacultura

Diferentemente da agricultura, aqui ainda está longe o conceito de “plantar” peixes e algas para garantir a caça

Por milênios, nossas vidas vêm sendo sustentadas pela riqueza submersa das águas. Quase todo oxigênio que respiramos vem do oceano. A mudança de clima, a poluição indiscriminada, a invasão de áreas não habitáveis, o uso inadequado das águas e a pesca predatória têm um impacto irreparável em nosso futuro.

Esse foi o recado do painel conduzido pelo ativista foodie, Andrew Zimmern, mais conhecido por sua atuação no reality show “Cozinha Ogra”.  Zimmern tem sido uma figura frequente na militância da boa comida e na SXSW.

O painel

Desta vez, o popstar moderou o painel sobre como proteger e salvar a parte líquida do planeta, promover a acquacultura. Desde 1961, o crescimento dos peixes têm sido 50% menor do que o consumo exigido pelo crescimento populacional.  Ou seja, tem sido uma alternativa de proteína para muitos, mas não dentro de um ciclo sustentável.

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Fórmulas sobre como comer a proteína animal com responsabilidade vem sendo discutidas. Mas ainda não chegaram na seara dos peixes. No Brasil, a militância contra a criação extensiva e maus tratos aos animais está tomando corpo.

Segundo pesquisa do Good Food Institute Brasil, que abrangeu 9.000 pesquisados, pelo menos 30% foi sensível ao tema.  Nos Estados Unidos e Europa as restrições já incomodam os players do setor. Mas na acquacultura, ao contrário do agro, as pessoas não têm ainda a consciência de que os peixes também precisam ser “semeados e plantados” em nome da continuidade da vida sob as águas.

Algas e peixes são percebidos de formas diferentes. O ecossistema aquático é o mais produtivo do planeta. Há o grande potencial de alimentar os seres humanos no futuro, mas não da forma como funciona hoje. Uma atividade preocupante, que passa quase “desapercebida”, é o mercado online de pescados, especialmente originários na África e Ásia.

As leis e outros desafios

As leis, diferentes de país para país, também não ajudam na causa. Globalmente, mais de 80% das pessoas querem consumir os alimentos sem se importar com mais nada, uma pena. Visto que o poder de resistir por meio da comida é a melhor solução contra as práticas abusivas. E é a melhor reação contra a produção extensiva da carne e a agricultura em geral.

Outra faceta preocupante na pesca extensiva é violenta e nem todos conhecem: a pirataria marinha. Os assassinatos em alto mar, nos roubos dos barcos pesqueiros.

O fator cultural e um certo preconceito também são barreiras para a acquacultura. A busca de um padrão ideal tem de ser extinta para dar lugar a uma aceitação mais flexível. Maior tolerância e curiosidade para variar a dieta, comer diferente devem fazer parte da dieta diária.

A criação em cativeiro pela acquacultura tem evoluído ao ponto de um peixe “semeado” ter sabor semelhante ao mais selvagem pescado da Noruega.  No entanto falta marketing. A marca dos peixes criados em cativeiros, ou mesmo a categoria, se mostra “tímida ou menor” do que os grandes pesqueiros.

Falta ativismo e força mercadológica. Isso deve mudar conforme a qualidade dos peixes produzidos pela acquacultura se firmar entre os comensais. Mas é preciso incentivo à experimentação.  Os chefs têm um papel fundamental na desmistificação das tecnologias envolvidas na acquacultura. Pelo bem dos oceanos e da humanidade, este é o futuro!

Encerrando o painel, Andrew Zimmern citou o pesquisador Jacques Custeau. “Temos de ‘plantar’ e usar o oceano como fazendas e não como caça. Porque é a fazenda que viabiliza a caça.”

Participram do painel Red Fujita – Diretor de pesquisa e desenvolvimento do Fundo para a Proteção Ambiental, a Chef e Fishmanger Fiona Lewis do restaurante DC Fishwife e James Wright, editor-chefe da Aliança Global da Acquacultura.

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