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O Periquita e as fitas coloridas

(*) POR CARLOS CABRAL

O fim de maio foi marcado por um acontecimento muito distinto. O XVII Capítulo Anual da Confraria do Periquita, edição que aconteceu na Vila Nogueira do Azeite, em Portugal, e foi mais que especial em virtude das comemorações dos 175 anos da Fundação da Casa José Maria da Fonseca.

Como de costume, lá pelas 6h30 da tarde, no pátio externo da tradicional sede da José Maria da Fonseca, os confrades antigos e os novos, que seriam investidos em seus cargos naquele dia, se reencontraram depois de um ano e aproveitaram para colocar a conversa em dia, enquanto um coquetel com os tradicionais vinhos da casa era servido.
Pude rever um grande número de confrades, dentre eles o confrade Jorge Sampaio, ex-presidente da República de Portugal. Reencontrei também o almirante Nuno Matias e, aos poucos, todos iam dando o ar de sua presença em meio a diversos tons, num multicolorido cenário das fitas dos chapéus e das capas.

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As fitas amarelas são envergadas pelos irmãos Antonio e Domingos Soares Franco, os titulares e administradores da José Maria da Fonseca e representam a sexta geração da família à frente do negócio de vinhos. Antonio é o Grande Periquita dessa confraria. Já os de fitas verdes eram o corpo diretivo da empresa em todos os seus setores: produção, administração, financeiro etc. Os de fitas azuis, os Periquitas Clássicos e, hoje, a confraria só tem três membros nessa categoria. Fitas vinho representam os Cavaleiros de Condição, que hoje já passam de uma centena e agora as esposas e senhoras, membros da Família Soares Franco usam as fitas cor-de-rosa.

No cortejo que se faz pelo pátio até a Adega dos Teares Velhos, uma animada lira local executa deliciosas marchas, que logo se inicia com a investidura dos novos membros. Neste ano, eram 11 os novos confrades.

Após a cerimônia, todos os presentes se dirigem para uma sala de provas especial, na qual o enólogo Domingos Soares Franco colocou à prova uma taça da mais nova safra de Periquita, de 2008. Provado e aprovado o vinho pelos presentes, segue-se à outra ala da Adega dos Teares Velhos para o tradicional banquete.

Aqui, Sofia Soares Franco, da sétima geração da família, dá seu toque e apresenta a todos a mesa posta para o tal banquete. Com lugares marcados, todos os confrades, que agora envergam somente a capa e aguardam o serviço.
Como sempre, o prato de entrada é a tradicional sopa de ervilhas à Soares Franco, um caldo grosso com hortelã e coentro. Para acompanhar, o vinho Periquita Supreme 2008. Para o prato principal, um lombo de veado muito tenro com molho de Moscatel de Setubal. O Hexagon 2003, a maior Prata da Casa.

Seguiram então à mesa o tradicional queijo de azeitão, produzido na Quinta de Camarate e uma sericaia com gelado de canela. Tudo isso na companhia de um vinho da coleção privada Domingos Soares Franco, o Moscatel (Armagnac) 2003, uma pérola com aromas de damasco e mel. Café e aguardente Espírito encerraram a maravilhosa refeição.
À mesa, falaram Domingos Soares Franco, para explicar os vinhos que foram degustados e o Grande Periquita, e Antonio Soares Franco, que lembrou a todos que a Casa José Maria da Fonseca está completando 175 anos de vida.

Convidado a pronunciar algumas palavras, destaquei a importância da família como célula-mãe de todos esses 175 anos de luta e de glórias. Meu objetivo foi falar da sétima geração, que, vagarosamente, vem assumindo posições de destaque na empresa. É dever desses jovens manter a unidade familiar a fim de que a Casa José Maria da Fonseca prossiga em sua missão de encantar o mundo que gosta de vinhos.

Assim, celebramos esse 31 de maio, a data de nascimento do grande pioneiro e homem de visão que foi José Maria da Fonseca.

(*) Carlos Cabral estuda vinhos há 38 anos. É consultor e um apaixonado pelo tema

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