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SXSW 2017: gastronomia no maior evento de inovação digital do mundo

O festival South x Southwest, mais conhecido como SXSW, foi criado em 1986 pela indústria do entretenimento texana para discutir o futuro da música e da mídia. A partir dos anos 90 entraram em cena temas ligados às indústrias do cinema e da tecnologia. A inovação é a essência do festival, que acontece anualmente em Austin, cidade que mais cresceu nos Estados Unidos na última década, considerada um eixo do Vale do Silício. São cerca de 60.000 participantes de todo o globo em busca do que há de novo na era digital.

A gastronomia entrou para o festival em 2014, como um poderoso agente de transformação pessoal e de negócios, reunindo empreendedores, chefs, investidores, produtores de cinema, acadêmicos, cientistas, analíticos, a cadeia produtiva e entusiastas em geral. Afinal, na maior parte do nosso tempo estamos interagindo em celulares, computadores e à mesa com assuntos ligados à comida.

Assim, vem se formando uma rede social infinita e a relação de reciprocidade em que a cultura digital reinventa a cultura gastronômica e vice-versa. Desta alquimia surgem novidades fascinantes que Prazeres da Mesa traz em primeira mão a você, de 11 a 17 de março. 

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Barbecue, o documentário

O festival SXSW também é uma vitrine para os food films, uma categoria que ainda não existe no Brasil. O documentário “Barbecue, every fire tells a story” (“Churrasco: todo fogo conta uma história”, em português) foi lançado na sexta-feira (10) com degustação do tradicional beef brisket texano.

A produção do filme percorreu 12 países para registrar como pessoas comuns mantém aceso o ritual ancestral, incluindo um campo de refugiados da Síria. Na Suécia, a churrasqueira virou uma espécie de “quentinha” adaptada, invencionice da loja Ikea, conhecida por suas soluções inusitadas em termos de design. O Brasil não entrou, mas teve no Uruguai sua representação mais próxima.

A surpresa maior ficou por conta da Mongólia, com um churrasco feito de marmota. Os ossos e carnes são retirados sem danificar a pele. Em seguida, o corpo é novamente “recheado” com pedras quentes e carnes mais nobres. Já na grelha, pelos e unhas são removidos. Na hora de servir, abre-se o invólucro feito com o animal e o resultado é uma carne cozida com seus sucos e sabores superpreservados.

O documentário tem a direção de Matthew Salleh, produção executiva de Rose Tucker. Submarine Entertainment, 101’, e não tem data para estrear no Brasil.

Local Roots Farm

A Local Roots Farm é uma empresa sediada em Los Angeles, desenvolvida segundo os moldes da economia criativa. Recebeu de investidores-anjo o montante de 3,5 milhões de dólares para sair do papel. A tecnologia foi desenvolvida antes do próprio negócio. Basicamente é uma ideia de distribuição e produção de alimentos sobre rodas. Mais especificamente dentro de um container.

Observando os desprazeres na atividade comercial de sua família, Eric Ellestad, fundador da Local Roots Farm e filho de fazendeiros, partiu de um pensamento disruptivo e a sua “fazenda sobre rodas” virou realidade em apenas três anos de atividades. Hoje já são 45 containers produzindo alimentos com os mais altos níveis de segurança alimentar, em Los Angeles.

O time de gente esperta do Vale do Silício desenvolveu toda a tecnologia para que folhas, vegetais e legumes possam crescer em condições de clima e solo autônomas. Mais ou menos como no filme “Perdido em Marte”. O resultado é quatro vezes mais produtivo do que no plantio tradicional. Além disso não há necessidade de uso de pesticidas, a economia de água é da ordem de 97%, o uso do solo é cinco vezes menor e o processo ainda dispensa muita mão de obra. Também é enorme o impacto social e ambiental do negócio, o que faz a iniciativa ter muito valor em termos de startup. E o melhor, faça chuva ou faça sol, o pedido chega sempre e com a mesma qualidade, garantindo o deleite de seus clientes, restaurantes e caterings.

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