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Variedade na taça

Uma nova leva de vinhos, diversos, chega ao mercado com bons preços para incrementar suas opções de compra

Não é de estranhar que os goles ibéricos ocupem grande parte da seleção de vinhos desta coluna. As boas pedidas da Espanha, seja com exemplares de regiões produtoras em alta no país, como La Mancha, seja de outras carimbadas no mundo dos vinhos finos, como Rioja ou Ribera del Duero, têm ocupado cada vez mais espaço em nossas prateleiras. Do outro lado da fronteira, Portugal continua fazendo bonito na categoria. Em visita recente ao Brasil, um dos mercados estratégicos para a indústria etílica lusa, membros da ViniPortugal, empresa que congrega os vitivinicultores do país, comemoravam um crescimento expressivo (de mais de 40%) nas exportações de vinhos ao Brasil durante os primeiros quatro meses do ano.

Confirmados os números e a tendência no decorrer do ano, os produtos lusitanos poderão alcançar em 2018 o segundo lugar no ranking de vinhos importados, superando a Argentina (com sua competitividade minada por uma inflação interna obstinada), que até agora tinha sido a escolta histórica do eterno campeão vinícola por aqui: o Chile.

Aliás, o Chile não poderia estar ausente. E marca presença no painel com as últimas edições de tintos e brancos de um enólogo que milita no time de craques do país andino. Para quem não dispensa as borbulhas nem nas temperaturas mais baixas do inverno, há também um bom champanhe (vendido a preço idem) trazido por uma nova importadora.

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Foto RJ Castilho

Portugal

Caminhos Cruzados (Dão)

A casa de Nelas, no canto sudeste do Dão, região no centro-norte do país, conta com 32 hectares de vinhas e uma novíssima adega inaugurada em 2017. Dela saem cerca de 200.000 garrafas de vinho por ano, modeladas pela enóloga Carla Rodrigues, com a ajuda dos consultores Manuel Vieira (ex-Sogrape) e Carlos Magalhães, outro renomado winemaker luso com atuação no Minho. Menção para dois vinhos de corte, um branco e um tinto, com belo desempenho também para o preço.

Titular Colheita Branco 2017 – Tem em sua fórmula uvas Encruzado, estrela branca do Dão, Malvasia Fina e Bical. Frutas tropicais (como a manga) combinadas com suaves toques cítricos tomam conta do palco. Um vinho untuoso em boca, com corpo médio e boa vivacidade dada por uma bela acidez (Avaliação: 88 pontos em 100, R$ 39,99).

Titular Colheita Tinto 2015 – Mescla Touriga Nacional, a rainha tinta daquele canto (e talvez de Portugal), Tinta Roriz e Alfrocheiro. Frutas vermelhas aparecem no nariz a na boca e dão forma a um paladar de corpo médio, com boa acidez e textura sedosa sustentada por taninos finos (88/100, R$ 39,99). Importação e venda, Oba Hortifruti; obahortifruti.com.br

Adega Cooperativa de Penalva do Castelo (Dão)

A empresa tem sua base em Penalva do Castelo, no leste da região e reúne ali cerca de 1.000 produtores que cultivam por volta de 1.200 hectares de vinhas. Um trio de vinhos com sua assinatura, que acabou de desembarcar, mostra mais uma vez o belo trabalho que as cooperativas lusas estão realizando, especialmente no campo dos vinhos finos de entrada. Um tinto e um branco foram o destaque da estreia.

Lagares de Penalva Branco 2017 – Volta aqui o trio de cepas clássicas do lugar: Encruzado, Malvasia Fina e Bical. Frutas brancas (maçã madura) e tropicais (abacaxi, suave mamão) dominam o aroma e o sabor. Denso e com bom corpo, mostra boa acidez e final frutado longo e saboroso.

Lagares de Penalva Tinto 2015 – Uvas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen moldaram um vinho de bom corpo, com taninos firmes, que brindam uma boa textura e estrutura. O paladar combina ameixas pretas maduras com toques de pimenta-do-reino e se mostra equilibrado e com boa persistência (ambos 89/100, R$ 47,84). Vinhas do Douro; vinhasdodouro.com.br

Chile

Bodega Ribera del Lago (Maule)

Rafael Tirado, craque da enologia chilena e assessor de várias adegas do país andino, cuida de cubas e barricas de sua pequena vinícola, encravada, junto com suas vinhas, em uma bela propriedade ao pé dos Andes e às margens do Colbún, um enorme lago artificial formado pelas águas represadas do Rio Maule. Ali, Tirado cria belos vinhos, entre eles os Laberinto, um Sauvignon Blanc e um Pinot Noir, destaques no firmamento etílico chileno. Tem também nos degraus iniciais do portfólio, outros exemplares dessas variedades, uma especialidade dele, que merecem atenção.

Casa del Lago Sauvignon Blanc 2016 – Não teve passagem por madeira. Após a vinificação, o vinho ficou três meses em contato com as borras para ganhar densidade em boca e complexidade. Frutas brancas e cítricas temperadas por pinceladas tostadas e minerais definem um vinho amplo, untuoso e vivaz, com final marcado pela fruta e pelos tons minerais (89/100, R$ 55).

Vistalago Pinot Noir 2015 – Membro da linha intermediária do portfólio, foi vinificado em tanques de cimento. Uma parte do vinho (80%) estagiou em barricas de carvalho usadas. Tons defumados e fruta típica da variedade marcam o aroma. Em boca, mostra-se denso e untuoso, com boa concentração de fruta e tênues aromas tostados, que pouco a pouco evoluem para suave café, formando um conjunto que marca um final de boa intensidade (91/100, R$ 98). Importados pela Magnum; magnumimportadora.com. À venda na Rouge; rougebrasil.com

Espanha

Bodegas Arrocal (Ribera del Duero)

Projeto relativamente novo na região do centro-norte espanhol, a vinícola lançou seus primeiros vinhos no mercado em 2003. A Arrocal conta com 33 hectares de vinhas dedicadas quase em sua totalidade às variedades tintas, com predomínio (29 hectares) da Tempranillo (ou Tinta del País), cepa que dá vida aos dois rubros a seguir.

Camino Viñas Tempranillo 2016 – Elaborado sem contato com madeira. Frutas como amora e framboesa marcam o aroma e o sabor. Tem corpo médio, boa acidez, sendo redondo em boca, com taninos macios que destacam seu caráter frutado. Um tinto leve e prazeroso que se bebe fácil. Tiro e queda para escoltar frios e queijos ligeiros (88/100, R$ 44,99).

Caminho Viñas Roble 2015 – Esteve oito meses em contato com carvalho. Mostra um pouco mais de corpo e estrutura do que o anterior. Frutas como a cereja e a ameixa-preta, junto a suaves toques de chocolate, aparecem em boca dando vida a um paladar macio e com final marcado pela fruta (89/100, R$ 59,99). obahortifruti.com.br

Viñedos La Maldita (Rioja)

Pertence a Bodegas Vivanco, um gigante da Rioja (também no centro-norte da Espanha), com um rico portfólio de vinhos de ponta da região, que militam no  catálogo de outra importadora. Por trás do rótulo La Maldita há apenas três vinhos, um tinto, um branco e um rosé, todos à base de uva Garnacha (a tal da maldita, por causa das dificuldades de seu cultivo no lugar). O tinto merece atenção, pois deixa claro que a Garnacha, pelo menos para a Vivanco, de maldita não tem nada.

La Maldita Garnacha 2016 – Garnacha 100%, oriunda de vinhas de cerca de 40 anos localizadas na Rioja Baja (a parte leste da região, chamada agora Rioja Oriental) e de vinhedos da Rioja Alta, a ala oeste. Cerca de 30% do vinho estagiou três meses em barricas de carvalho. Geleias, groselhas e cerejas junto a um agradável toque herbáceo e de especiaria tornam complexo e atraente um paladar sedoso, equilibrado e deliciosamente persistente. Para comprar por caixa. (90/100, R$ 44,99). obahortifruti.com.br

França

Le Clos Blet (Champagne)

A maison de Noé-les-Mallets, vilarejo da Côte des Bar, a mais meridional das quatro sub-regiões da Champagne, está comandada por Vincent Drouilly e elabora as borbulhas que levam seu nome. Menos conhecida, a Côte des Bar, ao sul das renomadas Montaigne de Reims, Côte des Blancs e Vallée de la Marne, é terra de Pinot Noir (cerca de 85% das vinhas cultivadas ali são da variedade). A fórmula do espumante de Drouilly reflete o perfil daqueles terrenos.

Drouilly L.V. T Brut – Não tem indicação de safra. Nasceu da combinação de uvas Pinot Noir (80%) e Chardonnay. Um espumante de bom corpo. Agrada pela fruta intensa (maçã-verde) coberta por um verniz de brioche, pão fresco e avelãs. Tem paladar amplo, com bolhas médias abundantes e um leve toque de adstringência. Mas essa sutil e agradável rugosidade agrega estrutura e volume ao vinho e combina bem com a potência da fruta (90/100, R$ 169). Wines4u; wines4u.com.br

Os produtos lusitanos poderão alcançar em 2018 o segundo lugar no ranking de vinhos importados, superando a Argentina

 

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