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Carta a Fabrizio Fasano

Uma homenagem de Rogerio Fasano ao seu pai Fabrizio Fasano, falecido recentemente

Antes de mais nada, em nome de toda a família, gostaria de agradecer muito a essa casa (Senado Federal) pela homenagem ao meu pai e com especial carinho a Senadora Marta Suplicy.

Fabrizio apesar de ter nascido na Itália foi um grande brasileiro. Amava o Brasil como poucos. Gerou e continuamos a gerar milhares de empregos. Enriqueceu muito, mas também passou por vários contratempos, que o levaram, um dia, quase a falir. Mas, depois de muitos anos, ele e eu tomamos um porre homérico, pois havíamos pago até o último centavo que devíamos. Era uma questão de honra.

Quando eu quis abrir o restaurante Fasano, em 1982 – que estava fechado desde 1968, quando meu avó faleceu – por meio de um convite da família Verissimo, proprietários do Shopping Eldorado, e que havia sido  negado pelo meu pai. Naquele momento sua única preocupação era recolocar sua indústria de bebidas no mesmo patamar que sempre esteve, para cumprir seus compromissos. Por mero acaso, naquele momento eu estava em sua frente. Eu disse que tinha escutado a conversa e que adoraria resgatar a origem gastronômica da família Fasano, de meu avô e bisavô.

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Depois de alguma resistência sua, ele me disse, liberal como ele sempre foi.

– Rogerio, se você quer reabrir o Fasano, aqui está o telefone do senhor Verissimo.

Eu tinha apenas 20 anos na época. Ironicamente, meu pai se reencontrou comigo na profissão de nossos antepassados e fizemos juntos uma parceria da qual me orgulho muito. E acho que fizemos muita coisa juntos. Nós nos complementávamos e, por 37 anos trabalhamos grudados, lado a lado, da forma mais próxima possível. Brigávamos, às vezes em voz alta no meio do salão repleto. Mas rimos, rimos muito, rimos muito mais do que brigamos.

Sua ausência me fará para sempre muita falta. Com seu carisma absurdo e sempre impecável, meu pai nunca levantava a voz. Suas broncas, quando necessárias para algum funcionário, soavam muito mais como um conselho. Meu pai colecionava amigos. Nunca soube sequer de existir um único desafeto seu. Assim como também nunca precisou recorrer a nenhum advogado para solucionar eventuais problemas societários.

Era muito amado por todos os funcionários, não importando o cargo. Do mais simples ao mais graduado, e sempre os tratava com a mesma atenção e carinho.

Esse, para nós que ficamos por aqui, será sempre o seu maior legado, o qual eu tento seguir a risca.

Quando meu avó Ruggero Fasano faleceu, um jornal paulistano publicou a seguinte manchete, aliás esse quadrinho é a única decoração que tenho em minha sala de trabalho: “Ruggero se foi, mas os Fasano ficam”.

E, nesse momento, ao lado do meu sobrinho Caetano, a quinta geração da família, digo com a mesma certeza. Fabrizio se foi, mas os Fasano ficam.

Obrigado a todos

Rogerio Fasano

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