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ESTADOS UNIDOS na taça

Por Horst Kissmann

Colaborou: Luiz Gastão Bolonhês

Foto: RJ Castilho

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geoff kruthCom jeitão descontraído, mas sério quando o assunto é vinho, o americano Geoff Kruth é nome forte dentro e fora dos Estados Unidos. Além de ser um dos produtores do filme Somm – documentário sobre quatro sommeliers que tentam passar no prestigiado exame Master Sommelier (título que ele ostenta desde o ano de 2008) –, Geoff é o comandante do Guild of Sommeliers (guildsomm.com), site que reúne cerca de 10.000 profissionais do vinho nos Estados Unidos. Em recente visita ao Brasil para participar da primeira edição do American Wine Show, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, ele foi um dos capitães de uma semana de eventos dedicada unicamente aos vinhos americanos, organizada pela importadora Smart Buy Wines. Com direito a uma grande degustação e a uma master class entre almoços e jantares de promoção que contaram com outros nomes do setor, como Vivien Gay, do Comitê Internacional de Napa Valley Vintners, e Jeff Gordon, um dos principais colaboradores no programa de enologia da Universidade Estadual de Washington.

Além de ter trabalhado em alguns dos melhores restaurantes da América, como o grupo Balthazar, em Manhattan, onde são comercializados mais de 10 milhões de dólares em vinho todos os anos, o especialista é diretor de vinho do Hotel Restaurante Farmhouse, no Russian River Valley. Credenciais que usa para desmitificar um pouco os vinhos de sua terra natal. A seguir, confira algumas impressões de Geoff sobre o mercado, além de alguns vinhos que ele trouxe na mala para mostrar um pouco mais do belo trabalho feito em solo americano.

Prazeres da Mesa – Que tipo de vinho o consumidor americano quer beber hoje em dia?

Geoff Kruth – Percebo que tanto os moradores quanto os visitantes da Califórnia querem beber os novos vinhos californianos. Digo novos, pois, se você olhar para uns dez anos atrás, a maioria era muito similar – em geral, até com uma nota a mais de álcool na taça. Nos últimos cinco anos, é nítido o aumento da elegância nesses vinhos, que a cada safra são melhores representantes dos terroirs onde são produzidos.

O que acha da produção orgânica?

A imagem do vinho americano está muito associada aos tais vinhos orgânicos. Claro que considero o tema importante, mas principalmente por causa da sustentabilidade nos vinhedos. O que me incomoda é que não é de hoje que esse tipo de cultivo está muito mais voltado para o marketing do que para o produto em si.

O que o consumidor brasileiro precisa saber a respeito dos vinhos americanos?

Acredito que o principal é divulgar a incrível diversidade de vinhos que temos por lá. Diferentemente do que muitos pensam, não temos somente um tipo de clima ou um único estilo de vinho. Além da emblemática Zinfandel, que se adaptou muito bem ao solo americano, tenho provado grandes vinhos com as mais distintas castas. Caso das espanholas, portuguesas, ou mesmo com a branca italiana Fiano. A diversificação é o ponto alto.

Como fazer para que um vinho tenha sucesso na carta de um restaurante?

Essa é uma questão complicada, na qual o papel do sommelier é fundamental. Nos Estados Unidos, por exemplo, os vinhos são cada vez mais importantes nos restaurantes. Ao menos nos que querem ter sucesso com a venda de vinhos. Via de regra, é preciso ter preços justos, compatíveis com a qualidade da bebida. Além de constante treinamento das brigadas, já que são esses profissionais que impulsionam as vendas.

Como um restaurante deve formar o preço de venda para seus clientes?

Por causa dos custos e do lucro, recomendo que se dobre o preço do vinho quando ele é servido no restaurante. Por exemplo, é justo que uma garrafa que custe 20 dólares na loja seja vendida por 40 dólares no restaurante. Mas no caso de um vinho de 200 dólares, costumo sugerir 300 dólares como preço de venda. Não é o dobro, mas já é um lucro considerável para a casa.

vinhos geoff kruth

Da mala de Goeoff

Lost & Found 2011

Nota: 92*

Casta: Pinot Noir

Álcool: 12,6%

Produtor: Lost & Found Wine

Santa Rosa, Califórnia

Esse vinho é o resultado do projeto pessoal de Geoff Kruth em parceria com Catherine e Joe Bartolomei, sob a chancela da winemaker Megan Glaab. Sem passagem por madeira, trata-se de um Pinot Noir que prima pelo caráter fresco. Fácil de beber, mas sem deixar de lado a grande complexidade de especiarias no aroma, com destaque para a pimenta-negra.

Three Palms Vineyard 2011

Nota: 95*

Casta: Merlot

Álcool: 14,5%

Produtor: Duckhorn Vineyards

Napa Valley, Califórnia

Sem dúvida, esse é um dos melhores exemplos da vinificação da Merlot na Califórnia. Trata-se de um vinho completo na boca e com grande estrutura tânica. Além da boa fruta no nariz, com destaque para as notas de cereja, também agradam as nuances de tabaco e chocolate. Vinho sério, elegante na taça e que conta com persistente retrogosto.

Raymond’s Generations 2000

Nota: 94*

Casta: Cabernet Sauvignon

Álcool: 14,5%

Produtor: Raymond Vineyard & Cellar

Napa Valley, Califórnia

Geoff apostou em trazer esse tinto para demonstrar um pouco do potencial de maturação do vinho americano. Mesmo com 14 anos de vida, ainda é um tinto muito jovem e que tem pelo menos duas décadas de amadurecimento pela frente.

Silver Oak 2005

Nota: 90*

Casta: Cabernet Sauvignon

Álcool: 14,5%

Produtor: Silver Oak Cellars

Napa Valley, Califórnia

O carvalho americano marca forte presença nesse típico vinho americano. Embora a Cabernet Sauvignon domine o corte, também marcam presença Merlot (13%), Petit Verdot (2%) e Cabernet Franc (1%). São elas que conferem maior complexidade ao vinho, cuja nota de mentol predomina no nariz.

The Sheriff of Buena Vista 2012

Nota: 92*

Casta: Petite Sirah (32%), Syrah (26%),
Grenache (5%) e Cabernet Sauvignon

Álcool: 14,5%

Produtor: Buena Vista Winery

Sonoma Country, Califórnia

Tinto potente, com taninos finos e elegantes, que deixa saudade depois do último gole por causa do retrogosto frutado. As uvas utilizadas foram cultivadas em algumas das melhores parcelas de vinhedos nas regiões de Alexander Valley, Sonoma Valley, Rockpile e Dry Creek. Foram todas vinificadas em separado em barricas de carvalho, antes do corte ser feito e do vinho ser engarrafado.

Russian River Valley 2012

Nota: 92*

Casta: Pinot Noir

Álcool: 13,9%

Produtor: Silver Oak Cellars

Sonoma Country, Califórnia

A Twomey, reconhecida pelo cultivo sustentável, conta com duas vinícolas em operação nas regiões de Calistoga e Healdsburg. As vinhas estão plantadas em algumas das melhores denominações na Califórnia. Especializada na vinificação da Sauvignon Blanc, Merlot e Pinot Noir, em cada uma das garrafas exprimem o melhor de cada terroir. Caso desse elegante Pinot Noir, que vale ser degustado na companhia da mesma varietal produzida em Anderson Valley e em Sonoma Coast.

*Notas: Excepcional: de 94 a 100 I Ótimo: de 88 a 93 I Muito Bom: de 83 a 87 I Bom: de 78 a 82 I Aceitável: de 71 a 77 I Não recomendado: abaixo de 70

 

 

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Lançada em 2003, a proposta da revista é saciar o apetite de todos os leitores que gostam de cozinhar, viajar e conhecer os segredos dos bons vinhos e de outras bebidas antecipando tendências e mostrando as novidades desse delicioso universo.

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