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Ouro verde brasileiro

Responsável por cerca de 33% da produção global de café, o Brasil é o principal exportador do grão no mundo, vendendo para mais de 130 países

A produção e exportação do café foram determinantes para o desenvolvimento do Brasil. Chamado de ouro verde brasileiro pelos empreendedores do século XIX, ele foi a principal fonte de riqueza do país na época. Graças à exportação do grão, São Paulo se transformou na grande metrópole que é hoje e o Porto de Santos se tornou a principal zona portuária da América Latina.

Os cafeicultores dominaram o país até o episódio da quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, quando o governo precisou queimar mais de 70.000 sacas de café por falta de demanda. Mesmo assim, o grão brasileiro nunca perdeu inteiramente sua força, principalmente para o mercado internacional. O Brasil até hoje é o maior produtor e exportador de café do globo. “Costumo dizer que qualquer café que se bebe no mundo tem um pouco do grão brasileiro”, conta Nelson Carvalhaes, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Mesmo sem muita ajuda climática em 2017, o Brasil manteve com folga sua posição de líder da exportação. Foram exportados mais de 30,7 milhões de sacas de café, resultando em 5,2 bilhões de dólares em receita cambial. “Tivemos uma queda 10,1% em relação ao ano anterior devido a um período de grande seca no país, o que afetou principalmente a produção de café conilon. As exportações caíram não por causa de demanda, mas, sim, pela falta de produto”, afirma o presidente que estava com altas expectativas para 2018, já que o clima colaborou.

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Segundo o boletim de maio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa é que o país produza em 2018 um volume de 58 milhões de sacas, o que seria um crescimento recorde de 29,1%. Vale destacar que cada saca pesa 60 quilos.

Quem compra o nosso café?

Os Estados Unidos são o principal comprador de café brasileiro. Em 2017, 17,5% da nossa produção foi para o país norte-americano. Em seguida vem a Alemanha com 16,1% e a Itália com 9,8%. Segundo Carvalhaes, os três países ocupam posição histórica, pois há mais de 30 anos estão no topo da lista de compradores. “Em quatro lugar está o Japão que é uma parceria relativamente nova para nós. A compra por parte dos japoneses vem crescendo bastante nos últimos anos”, conta.

Em 2017, mais de dois milhões de sacas atravessaram o mundo, o que corresponde a 6,5% de toda a exportação. “O mais impressionante do Brasil é que somos parceiros de todas as regiões, desde os países tradicionais da Europa, até os países da Ásia, novo mercado que está crescendo fantasticamente nos últimos anos. E quando cito Ásia, não falo apenas da China, uma grande potência, mas também de países como a Indonésia”, conta.

Foto: Arquivo PDM

Afinal, por que o café brasileiro é tão requisitado?

Existem dois fatores determinantes para o país ser o principal exportador do grão. O primeiro é sua extensão territorial. “É como se existisse vários países dentro do Brasil. Cada região tem uma topografia, um clima e características que diferem complemente das outras.

Assim, conseguimos atender todas os perfis de consumidores”, afirma Carvalhaes. Soma-se ainda a tradição. Já são mais de 300 anos produzindo café continuamente. “Hoje, o Brasil é responsável por cerca de 33% da produção global e exporta para mais de 130 países”.

E a qualidade?

Tradição nem sempre é sinônimo de qualidade. Podemos ser o produtor mais famoso do globo, mas quem garante que nossos grãos têm alta qualidade? O presidente da Cecafé explica que o café brasileiro é internacionalmente conhecido por seu corpo intenso. “Ele importantíssimo para se obter um bom espresso, por isso todas as grandes redes de cafeteiras do mundo têm ao menos uma marca de café brasileiro no portfólio”.

Ao longo das três últimas décadas, o Brasil está aumentando a exportação de cafés diferenciados (são chamados assim, aqueles que têm qualidade superior ou alguma certificação especial) e isso está ajudando a mudar a visão dos estrangeiros em relação ao nosso grão. “Até então, não éramos visto pela qualidade, mas sim pela quantidade. Hoje, esse cenário mudou e cada vez mais a qualidade de nossos cafés está sendo reconhecida internacionalmente”.

 

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Stephanie Vapsys

Foi vendendo cupcakes na feira de empreendedorismo da escola, aos 15 anos, que Stephanie Vapsys se encantou pela confeiteira e, posteriormente, pela gastronomia. A jovem que nunca recusa um docinho ou um convite para jantar, decidiu cursar jornalismo na Faculdade Cásper Líbero por ser fã de literatura e fascinada por contar boas histórias. Desde 2015, na redação de Prazeres da Mesa, a repórter tem a oportunidade de conviver diariamente com sua grande paixão. Entre viagens, idas ao teatro ou ao cinema sempre aproveita a deixa para conhecer um bom restaurante por perto.

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