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Por dentro da Casa Underberg

Da quinta geração da família, Hubertine Underberg inaugurou fábrica de bitter no país, com investimento de 5 milhões de reais e capacidade para produzir 1,5 milhão de litros por ano

Hubertine Underberg
Foto Divulgação

EA história da Casa Underberg remonta a 1846. Até hoje sediada no mesmo local de sua fundação, na cidade de Rheinberg, na Alemanha, a empresa sobreviveu às duas guerras mundiais e travou, no Brasil, uma disputa para recuperar sua marca que se arrastou por 46 anos. Comandada por Hubertine Underberg, uma bióloga especializada em ecossistemas de raízes, da quinta geração da família, a Casa Underberg inaugurou em maio de 2018 uma fábrica na cidade de Miguel Pereira, no Rio de Janeiro, com investimento de 5 milhões de reais e capacidade para produzir 1,5 milhão de litros de Brasilberg por ano.

Além da bebida amarga à base de ervas (mais conhecida por aqui como bitter), a empresa, que tem vendas mundiais de 300 milhões de euros por ano, conta com outras 200 marcas em seu portfólio, incluindo vodcas e conhaques. Nesta entrevista, Hubertine conta um pouco da história da Casa Underberg e fala dos planos a partir da nova fábrica.

Prazeres da Mesa – A marca Underberg se posiciona como “a dose do bem-estar”. Não é um slogan curioso para um produto com 44% de teor alcoólico?

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Hubertine Underberg – Esse slogan existe desde 1949, o mesmo ano em que foram lançadas as garrafinhas de 20 mililitros do produto. Depois da Segunda Guerra Mundial, era muito comum o ponto de venda completar a garrafa de Underberg com bebidas piratas, de outras marcas. Com garrafinhas de 20 mililitros, equivalentes a apenas uma dose, isso não acontecia e a empresa garantiria a assinatura do rótulo. Comecei a trabalhar na Casa Underberg em 1991, questionei esse empirismo de bem-estar e conduzimos estudo médico com 266 pacientes em duas cidades alemãs. Ficou provado que, em mais de 90% dos casos, o consumo de Underberg após a refeição estimula a digestão.

Quando a Underberg chegou ao Brasil?

Paul Underberg, neto do fundador da empresa, passou dois anos viajando o mundo para escolher onde instalar a primeira fábrica fora da Alemanha. Ele acreditou no potencial do Brasil e, em 1932, inaugurou a planta que ficava no bairro da Usina, na cidade do Rio de Janeiro, para produzir o digestivo Underberg com a fórmula original. Dez anos mais tarde, pensando na oferta de insumos brasileiros, locais, e na necessidade de adaptar a bebida a temperaturas mais altas, ele acrescentou ervas da Amazônia a essa fórmula.

Então, a fórmula mudou, mas o produto seguiu sendo chamado de Underberg, aqui, no Brasil?

Exato. Por isso foi um problema por muitos anos, pois o consumidor de Underberg não reconhecia a bebida fabricada no Brasil. Um problema que também dividiu a empresa e afastou os irmãos Paul, que cuidava dos negócios no Brasil, e Emil, que ficou na Alemanha. Depois da morte de Paul, em 1959, meu pai, filho de Emil, passou 46 anos negociando uma solução para a questão. Em 2005, foi criada a marca Brasilberg, para identificar o produto brasileiro que, agora, é fabricado na unidade de Miguel Pereira.

O Brasilberg também tem propriedades digestivas?

Ele não foi submetido aos estudos médicos de Unberberg e não se posiciona como digestivo, mas sim como um ingrediente para mixologistas criarem drinques. O drinque Rio Negro, por exemplo, leva Brasilberg, água tônica e guaraná.

Como a senhora vê o potencial de Brasilberg?

A marca já é exportada para Alemanha, Áustria, Dinamarca, Noruega, Suécia, Suíça, Paraguai, Uruguai com excelente aceitação, principalmente na Alemanha. Em breve, deve ganhar também a Holanda e a Finlândia. No Brasil, estamos presentes em todos os estados. Sendo que nosso maior mercado é Santa Catarina, enquanto São Paulo é o que vem registrando maior crescimento. O conhecimento do consumidor está aumentando e, cada vez mais, ele busca itens premium. Isso nós temos. Nossas bebidas usam ervas produzidas sem pesticidas, que são testadas em mais de 300 parâmetros para garantir sua qualidade. Além disso, a fábrica de Miguel Pereira está dentro da APA Guandu, onde temos acesso a uma água maravilhosa.

Por Ursula Alonso Manso, do Rio de Janeiro

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