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A comida do futuro

O evento Taste Tomorrow aconteceu pela primeira vez no Brasil e apresentou uma ampla pesquisa sobre as tendências da alimentação

Sabor, saudabilidade, frescor, artesanal, ética, transparência, conveniência final, experiência e personalização. Esses são os conceitos que são levados em conta na hora de escolher um alimento de acordo com a pesquisa que ouviu cerca de 17.000 consumidores de 40 países. No Brasil, a pesquisa contou com 1.200 consumidores.

A pesquisa conduzida pelo instituto de pesquisa Ipsos foi encomendada pela Puratos e os resultados foram divulgados no evento Taste Tomorrow. Realizado nos dias 3 e 4 de julho, no prédio da Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera, o evento aconteceu pela primeira vez no Brasil.

Resultados

Durante a ocasião, Rollo McIntyre, Global Head de Inovações da Ipsos, apresentou em primeira mão os resultados do estudo que analisa o que as pessoas esperam da alimentação em 2030. De acordo com o levantamento, 58% dos consumidores estão aptos a experimentar sabores diferentes, novos e exóticos; 73% dos brasileiros gostam de provar novas texturas; e 59% dos brasileiros acreditam que comida bonita é também saborosa.

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Outro dado que chamou a atenção é em relação à saudabilidade dos alimentos. A pesquisa mostrou que 34% dos consumidores acreditam que a comida será mais saudável em 2030.  No Brasil, 36% apostam que a comida será mais saudável, 33% acreditam que se manterá igual e 30% acham que será menos saudável. “As quantidades de gorduras, calorias e açúcar são o que as pessoas mais procuram na hora de comprar um alimento”, conta Rollo McIntyre. De acordo com o estudo, saber combinar sabor e saudabilidade é a chave para o sucesso.

Taste Tomorrow
Rollo McIntyre

As 9 tendências do Taste Tomorrow

Na terceira edição da pesquisa Taste Tomorrow, foram identificadas 9 palavras-chave que são consideradas tendência no universo da alimentação. Confira alguns insights do estudo

  • Sabor: Os consumidores querem se impressionar usando todos os seus sentidos na hora de comer
  • Saudabilidade: As expectativas continuam crescendo. Falar sobre cozinha saudável é falar sobre adição e subtração, ao mesmo tempo. Alguns consumidores acreditam que o alimento saudável é aquele que remove ingredientes, já outros acreditam que é preciso adicionar produtos.
  • Frescor: É ele que define as percepções de qualidade do alimento. Data, cheiro, aparência, cor, textura e crocância são algumas características que identificam se o alimento está fresco.
  • Artesanal: Os consumidores estão de olho em empresas artesanais e estão dispensos a pagar mais por tais produtos. Com eles, há sensação mais humanizada ao alimento.
  • Ética: Os conceitos de comida, lifestyle e ética estão extremamente ligados. Os consumidores desejam fazer escolhas mais éticas em relação ao que comem, por isso é importante a marca divulgar seus valores e conceitos.
  • Transparência: Os consumidores estão atentos e mais propensos a ler as informações nos rótulos, por isso, é importante apresentar todas as informações com transparência.
  • Conveniência final: Devido ao dia a dia corrido e ao pouco tempo livre, as pessoas procuram soluções mais práticas. A tecnologia está cada vez mais se tornando essencial na indústria da alimentação.
  • Experiência: Se o sabor é o rei, a experiência é a rainha. Os consumidores querem se sentir impressionados e surpreendidos a todo momento.
  • Personalização: Comer é um ato pessoal. Por isso, cada vez mais os consumidores veem a comida como uma forma de se expressar. Por isso, pratos personalizados são cada vez mais apreciados.

Comida “instagramável”

Taste Tomorrow
Karen Stanton

Além de divulgar os resultados da pesquisa do Ipsos, o primeiro dia do Taste Tomorrow também reuniu pensadores e empresários do ramo da alimentação para discutir o futuro deste mercado.

Karen Stanton, diretora global de marketing e marcas da IFF, falou da importância das redes sociais. “Um em cada três adolescentes hoje quer se tornar youtuber. Enquanto um em cada sete quer ser uma estrela da televisão. Isso mostra o poder dos influencers. Estamos vendo diversas mudanças no mercado de comida por causa do Instagram”, disse.

A especialista usou como case o Museum of Ice Cream, nos Estados Unidos, que teve mais de 1 milhão de fotos publicadas no Instagram. O mesmo aconteceu com o The Sweet Art Museum, que, atualmente, está no Brasil e também é sucesso nas redes sociais. Segundo Karen, faz parte da experiência fotografar, publicar e criar memórias para toda a vida. “A Universidade de Singapura está testando como compartilhar cheiros pela internet”, contou Karen que acredita que em breve entraremos na geração “smelfie”, termo que mistura as palavras smell (cheiro) com selfie.

Repensando a alimentação

Taste Tomorrow
Diego Ruzzarin

Por sua vez, Diego Ruzzarin, CEO do Foodlosofia, apresentou o contraponto da glamourização dos alimentos e da gastronomia. Considerada o maior o centro de Food Design do mundo, a Foodlosofia é uma agência que tenta entender a relação do ser humano e do alimento usando os conceitos de design thinking, psicanálise e filosofia. “Temos uma mentalidade diferente. Há muita gente trabalhando com food business e nós temos a intenção de realmente entender o que significa comer. Da onde vem o prazer em comer e quais são as repercussões dos excessos. É isso que devemos ter em mente para criar um futuro mais sustentável e saudável, com menos conflito e mais prazer”, afirma Ruzzarin.

A Foodlosofia acredita que é preciso democratizar a qualidade e usar a tecnologia para fazer comida boa e barata. “Hoje, se você quer comer bem, é preciso gastar muito dinheiro. O grande problema é que fazemos uma associação de que comer bem é status. Isso acaba criando uma barreira para a democratização. Precisamos separar o celebritismo da comida”. Questões como excesso de consumo, segundo Ruzzarin, devem ser repensados. “O México é número 1 em obesidade infantil e é o segundo país com mais obesos adultos. O Brasil é o país que a obesidade mais rápido cresce. Somos nós que pagaremos essa conta no futuro, já que é a bolsa pública que paga os tratamentos de saúde. Então, estamos redescobrindo as repercussões negativas de como nos relacionamos com o alimento da maneira mais perversa”.

Contudo, Diego acredita que atacar a tecnologia e a industrialização não é o caminho. “É uma mudança que tem de partir do ponto de vista do consumidor. A questão é parar de entender comida como entretenimento e parar de entender restaurante e o produtos de luxo como celebritismo”, afirmou.

Degustando o futuro

Entre os intervalos das palestras, o Taste Tomorrow recebeu o público no espaço marketplace, onde houve degustações de produtos da Puratos. Além de apresentar as novidades da marca, o espaço tinha como objetivo apresentar de maneira prática tudo aquilo que foi discutido e estudado a partir dos resultados da pesquisa.

Taste Tomorrow
Fotos: Taste Tomorrow/Luciana Aith/Divulgação

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Stephanie Vapsys

Foi vendendo cupcakes na feira de empreendedorismo da escola, aos 15 anos, que Stephanie Vapsys se encantou pela confeiteira e, posteriormente, pela gastronomia. A jovem que nunca recusa um docinho ou um convite para jantar, decidiu cursar jornalismo na Faculdade Cásper Líbero por ser fã de literatura e fascinada por contar boas histórias. Desde 2015, na redação de Prazeres da Mesa, a repórter tem a oportunidade de conviver diariamente com sua grande paixão. Entre viagens, idas ao teatro ou ao cinema sempre aproveita a deixa para conhecer um bom restaurante por perto.

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