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Vinho versus Cerveja

Por Stephanie Vapsys

Fotos Divulgação

Estamos acostumados a combinar queijos com vinhos, mas essa não é a única possibilidade de harmonização. O ingrediente também faz bom casamento com cerveja segundo a sommeliére de cervejas, Taiga Cazarine, da São Paulo Tap House. Para provar que a combinação funciona, Taiga se reuniu com chef e pesquisador de queijos nacionais, Daniel Martins, e com Fernando Perazza, sommelier de vinho do Ovo e Uva, para o duelo ‘Vinho X Cerveja: O que combina mais com o queijo?’. O duelo reuniu entusiastas em queijos, vinhos e cervejas, que tiveram a difícil missão de escolher qual era a melhor harmonização.

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Defendendo as cervejas, Taiga Cazarine contou que a bebida faz excelente par com o queijo, mas como no Brasil o cenário de cervejas artesanais ainda é pequeno, pouco se fala sobre a combinação. “Assim como a uva, o lúpulo também tem terroir, por isso é importante conhecermos a origem da cerveja, assim como acontece com os vinhos”, disse durante sua apresentação.

Fernando Perazza explicou as diferenças entre os rótulos do Velho e do Novo Mundo e falou sobre a importância de manter o vinho na temperatura ideal para o consumo. “No Brasil, devido ao clima, estamos acostumamos a tomar bebidas estupidamente geladas. Se eu servir um vinho a 18 graus, por exemplo, provavelmente vão reclamar, mas em alguns casos essa é a temperatura ideal para sentir todos seus elementos”, contou.

Por sua vez, Daniel Martins fez um panorama histórico dos queijos no Brasil e deu dicas de de consumo. “Não compre se o produto estiver com a massa estufada ou se sentir sabor de enxofre. No caso do queijo da Canastra, evite se estiver com muitos furos”, afirmou.

Foi então dada a largada para a degustação de seis queijos, cada um harmonizado com uma opção de cerveja e uma de vinho. Depois os participantes tinham de votar na combinação favorita.

Vinho versus Cerveja

Na primeira bateria, a mussarela de búfala foi harmonizada com o vinho branco argentino Rupes Chardonnay e com a cerveja frutada Anarkia Framboesa, uma Fruitbeer preparada com framboesa. Para a felicidade do anfitrião Fernando, o vinho levou a primeira etapa. “Combinei um vinho leve com um queijo leve. Esse branco tem um sabor refrescante e ideal para os laticínios mais cremosos”, explicou Fernando Perazza.

Em seguida, o queijo da Canastra foi servido com o vinho italiano Castello di Magione Grechetto e com a cerveja alemã Bamberg Die Wiesn. Dessa vez, a cerveja saiu vitoriosa. “O suave amargor da bebida contrastou com a gordura do queijo”, disse Taiga.

Prosseguindo, o queijo figueira ganhou as companhias do vinho nacional Red Cabernet e Merlot e da Barco Ça Vá, uma Saison. Com apenas um voto de diferença, o vinho venceu a terceira bateria. De corpo leve e adocicado, ele casou perfeitamente com o queijo que leva adição de urucum.

O próximo queijo servido foi o coronel, que foi combinado com o vinho italiano Baglio di Luna Nero d´Avola e com Barco Ça Vá Doppelbock. A cerveja com notas de café segurou o sal do queijo e levou disparada a quarta bateria.

O quinto queijo foi a surpresa da noite. Chamado de cacauzinho, ele é produzido em Joanópolis, interior de São Paulo, e leva adição de cacau na produção. O queijo foi uma sugestão do chef Alex Atala que deu um pacote de nibs de cacau para a produtora e a pediu que desenvolvesse um queijo com o ingrediente. No evento, ele foi acompanhado do vinho argentino Finca Las Moras Bonarda e com a cerveja curitibana Cacau Wee, que também leva cacau na receita. A combinação de cacau com cacau deu certo, e a cerveja venceu mais uma etapa. “Apesar do cacau, ela é uma cerveja com corpo mais elevado”, contou Taiga.

Finalizando o duelo, o queijo gorgonzola foi harmonizado com o vinho de sobremesa Toro Salvaje Late Harvest e a cerveja Mea Culpa Imperial Ipa. Dessa vez, os sommeliers apresentaram propostas bem diferentes. Enquanto Fernando decidiu fazer uma combinação clássica de vinho de sobremesa com queijo azul, igualando a doçura, Taiga optou por uma cerveja de alto amargor para contrastar com o sabor do gorgonzola. Fernando acertou em cheio e o vinho ganhou disparado. No fim, até Taiga admitiu preferir a harmonização proposta pelo anfitrião.

Na somatória final, vinho e cerveja empataram. Uma prova de que quando o assunto é queijo, a escolha da bebida fica de acordo com a preferência do comensal.

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