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A campeã da Massa

Carolina Diaz, do Terzo Piano no Art Institute of Chicago, Estados Unidos, conquistou o título de Master of Pasta na sétima edição do Campeonato Mundial da Massa, realizado em Milão, na Itália

Ainda não foi dessa vez que a Itália, país que mais consome pasta no mundo, ficou com o título de Master of Pasta no Campeonato Mundial da Massa, organizado pela Barilla, em Milão. A americana Carolina Diaz derrotou outros 17 concorrentes e se tornou a primeira mulher a vencer a competição. Foi também a primeira vez que o Brasil enviou um candidato. O chef Marcelo Milani mostrou técnica e criatividade e colocou o Brasil em destaque. Ele é chef do Piccolo, de São Paulo, que entrou em 2018 na lista dos restaurantes Bib Gourmand do Guia Michelin.

Neste ano, o tema da competição foi “Eat Positive”. E homenageou o patrimônio cultural intangível de La Dolce Vita, no qual os elementos essenciais do modo de vida italiano prosperam: arte, música, estilo e, claro, comida boa e icônica.

Durante os dois dias do evento, foi abordada a importância de viver um estilo de vida saudável e positivo, o que pela dieta mediterrânea, a massa é uma das estrelas. Com base no modo de vida italiano, aconteceram três Master Talks: “Além da Gastronomia: o Papel da Beleza”, com o cofundador da “Teoria da Cozinha” Jozef Youssef e a artista e fotógrafa Brittany Wright; “O estilo de vida mediterrâneo, a receita final para o bem-estar”, pelo chef-nutrólogo Holger Stromberg e pela apresentadora de TV sueca e ex-modelo Filippa Lagerbäck; e “Sustentabilidade do campo à mesa”, do chef Davide Oldani, um dos mais talentosos da Itália e do pioneiro da cultura de manjericão, Giuseppe Bonati.

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Na competição, os 18 chefs se enfrentaram em eliminações únicas. Eles foram julgados pelos chefs italianos Lorenzo Cogo, Viviana Varese e Luigi Taglienti. Além do chef-nutrólogo Holger Stromberg, da Alemanha, e da fotógrafa americana, Brittany Wright.

Foram avaliadas as habilidades em apresentação, criatividade e domínio da culinária durante três intensas rodadas. Em cada uma foram apresentadas as criações de pratos autorais dos jovens chefs. Além da reinterpretação deles de um verdadeiro clássico italiano: o amado ‘spaghetti al pomodoro’. Davide Oldani se juntou ao grupo na etapa final.

“Com o concurso, a Barilla quer apoiar a próxima safra de chefs talentosos. E inspirá-los a abraçar a positividade e a alegria do estilo de vida italiano”, afirmou Andrea Malservisi, diretor de Brand Equity e Comunicação do grupo Barilla.

Competindo na final contra o chef chinês Toby Wang, de Pequim, Carolina usou todas as partes do tomate. O resultado foi um prato que exemplifica o equilíbrio perfeito entre acidez e doçura. Ela acrescentou o caule ao molho para um componente herbáceo e usou três tipos de tomate-cereja.

“Estou muito feliz porque preparei o prato do meu jeito”, disse, eufórica, Caroline Diaz. “Muito honrada em ser a primeira mulher a ganhar o título de Master of Pasta. É hora de o nosso trabalho ser reconhecido em todo o mundo.”

Seis perguntas para Marcelo Milani
Marcelo Milani

Prazeres da Mesa – O prato que você apresentou aqui já estava no cardápio de seu restaurante?

Marcelo Milani – Temos uma sopa de peixes no Piccolo, a bouillabaisse com capellini. Aqui, quis preparar uma versão de um clássico italiano, o cacciucco (caldeirada de frutos do mar e peixe, italiana, nativa das cidades costeiras ocidentais da Toscana e da Liguria). A ideia era fazer uma releitura e usar a sopa como um molho, acompanhando o espaguete.

Depois do concurso, da experiência, você mudaria alguma coisa na receita?

Talvez mude um pouco a bouillabaisse do restaurante, puxe um pouco mais para o lado italiano, mas continuarei usando a massa fresca, que funciona melhor.

Mais italiana, é reduzir mais? Deixar o molho mais espesso?

Acho que a bouillabaisse é um pouco mais leve e o cacciuco, eu o achei mais encorpado. Vou estudar, testar e ver o que posso melhorar entre as duas e, no fim, fazer surgir o caldo do Piccolo.

E com essa experiência em Milão, não apenas no concurso, há algo que você vai levar, implementar em São Paulo?

Gostei de muita coisa, queria levar muita coisa. A simplicidade deles me fez pensar. O simples benfeito, que a gente busca tanto lá, é bem impecável aqui. Acho que isso vai ajudar a aperfeiçoar ainda mais o meu jeito de ver a cozinha. Gosto disso.

E sobre o concurso, qual o aprendizado que fica?

Preciso controlar mais o nervosismo. Manter a calma. O contato com os outros chefs, falar de ingredientes e de pratos é um aprendizado. A troca com os chefs é muito bacana, ela agrega.

O novo Piccolo, no Shopping Iguatemi, tem capacidade para atender o dobro de pessoas do que sua primeira casa, como administrar?

Temos o dobro de funcionários, uma cozinha bem grande, mas é um novo desafio. Vamos ficar sem parar entre almoço e jantar e ver como funciona. A missão continua sendo a de fazer comida gostosa e acessível.

 

* A reportagem viajou a convite da Barilla

 

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Ricardo Castilho

Ricardo Castilho é diretor editorial de Prazeres da Mesa

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