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Gastronomia em ascensão

Bastam alguns dias na África do Sul para perceber todo o potencial da área gastronômica. Restaurantes moderninhos e vinícolas com propostas diferentes fazem do país um lugar incrível para visitar   

Nossa primeira parada na cidade de Johannesburgo, onde o clima cosmopolita toma conta das ruas, com diversas galerias de arte e restaurantes, museus e bares. Apesar de todos chegarem à África do Sul ansiosos para conhecer Cape Town e fazer safáris, vale a pena reservar alguns dias para desvendar Joburg – como a cidade é chamada pelos locais – e sua rica cultura.

Fotos: RJ Castilho

Não se preocupe em trocar dinheiro no Brasil. Há diversos bancos logo à chegada ao país. São boas as taxas para fazer o câmbio de dólar e euro para rand – a moeda local. O voo até Joburg dura cerca de 8h30. E, para os que chegam de dia e já querem curtir as atrações da cidade, a dica é começar pelo bairro de Maboneng. Isso porque ele vem sendo revitalizado e hoje é parada obrigatória.

Destaque, portanto, para o Market On Main, mercado que reúne gastronomia, venda de roupas e obras de estilistas locais, aos domingos. O bairro é uma espécie de Vila Madalena sul-africana, com galera descolada. E também é bom para quem quer provar comidinhas e curtir o clima descontraído.

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Os fãs de história também podem visitar alguns pontos especiais. Como a casa do presidente Nelson Mandela, um dos personagens mais importantes do século XX. Ele foi líder do movimento contra o apartheid – que segregava os negros do país. Em 1999, a casa se tornou monumento nacional. Há ainda o prédio do Tribunal Constitucional, que hoje abriga museu e galeria de arte, mas que já serviu de prisão para Nelson Mandela.

Luxo com modernidade

O hotel Four Seasons The Westcliff é ótima pedida para quem está em busca de luxo e requinte, mas não abre mão da  modernidade. São 117 quartos e suítes. Sendo que foram construídos em meio a 3 hectares de jardins e com vista para o zoológico da cidade. Um verdadeiro oásis em meio ao agito e um refúgio para os que vão a Joburg a trabalho.

Aos amantes da gastronomia, o hotel proporciona experiências incríveis, em seus cinco restaurantes. Destaque para o View. Ele tem vista maravilhosa da cidade e cozinha excelente e, por isso, dá ao visitante uma amostra da cultura sul-africana.

O Flames é espaço mais descolado. Por isso, é bom para apreciar o pôr do sol das poltronas com guarda-sóis. E ainda tomar um drinque e curtir uma música mais animada. É também um dos espaços do café da manhã. E que café da manhã!

A seleção de pães e croissants é de comer rezando. Os iogurtes com frutas frescas, as panquecas quentinhas e a variedade de ovos proporcionam um belo desjejum. Por fim, a Westcliff Deli oferece lanchinhos, snacks, cafés, sucos variados. Além de um bagel de salmão com cebola-roxa, tomate e avocado para ninguém colocar defeito.

Gastronomia no View

Jantar no View é obrigatório. O sommelier, um português simpático, procura entender a preferência do cliente para poder indicar a seleção de vinhos locais. Não deixe de provar a sopa de couve-flor com pedacinhos de cogumelos. E as vieiras com mousseline de mandioquinha, espinafre e cogumelos salteados. Para os principais, apesar de ser difícil fugir dos preparos com carne, que são espetaculares na África do Sul, opte pelo peixe assado. Ele acompanha batata crocante, espinafre, tapenade de azeitona preta e redução de lagostim. Ou ainda pelo lagostim e bacon ao molho ceasar.

Há ainda uma parte do menu totalmente reservada para os vegetarianos. Os carnívoros de plantão também são contemplados, com porky belly, cordeiro e carnes de caça. Não pule a sobremesa, ainda mais se você for amante de chocolate. O chocolat & caramel mescla várias texturas de chocolate, com bolo esponja de coco e sorbet de manga. O final perfeito para um jantar surpreendente.

    Passeios gastronômicos por Johannesburgo

    SAB Miller – The South African Breweries (SAB), que seria uma espécie de associação dos produtores de cerveja, está localizada em Johannesburgo, na África do Sul, desde o início da empresa, há mais de um século. Hoje, eles são a segunda maior cervejaria do mundo. Em seu espaço recriam a história da bebida, em uma espécie de museu. Tem vídeos, artefatos usados na produção da cerveja, fotos e textos. Além de um bar e uma casa, montados com características de 1965.

    O passeio tem duração de 1h30 e, ao final, há uma degustação com alguns de seus rótulos. Provamos a Castle Lager, muito saborosa e com boa qualidade de espuma; a Castle Lite, com o menor teor alcoólico deles, com 0,4%, fácil de beber, principalmente em dias mais quentes. Já a Carling Black Label é a melhor de linha, com 5,5% de álcool, mais encorpada, ideal para acompanhar refeições. E tem também a Castle Milk Stout. A cerveja escura, com notas de torrado, para quem gosta de uma bebida mais forte.

      Marble

      Sem dúvida um dos três melhores da África do Sul. O Marble já impressiona o comensal logo à entrada, onde estão expostas obras de arte maravilhosas, que retratam a cultura do país. Está localizado em um imponente prédio, em Rosebank, e por estar no alto tem uma varanda deliciosa, com uma bela vista da cidade.

      Na parte de dentro, de frente para a varanda, fica o bar, com uma adega toda envidraçada e iluminada, o que sugere um drinque antes da refeição. Aliás, o restaurante é todo banhado por luz natural e o ambiente é a harmoniosa combinação do clássico com o moderno, o que faz com que o cliente fique horas sentado apreciando as obras de arte, a elegância e a comida, que sai da cozinha aberta para o salão, deixando visível a grande parrilla, de onde saem todos os preparos.

      A comida por si só coroa toda a perfeição do Marble, a começar pelo pãozinho caseiro, salgadinho e crocante. Nas entradas, as boas pedidas são o polvo com linguiça, batatas e cogumelos, que traz o molusco no ponto perfeito, com o gostinho da parrilla e muito sabor.

      Para os vegetarianos, o cogumelo com alho-poró e aspargos faz bonito e nada deve às demais opções. Quem preferir algo mais tradicional pode pedir o kudu, uma das carnes de caça mais consumidas do país. Entre os pratos principais as carnes vêm no ponto perfeito. Opte pelo rib eye e não se arrependa. O corte chega à mesa suculento e acompanhado de crispy de cebola e creme de batata.

      Se não tiver medo de arriscar, o game é um prato que vai com a carne de caça do dia. Na ocasião era de veado, guarnecido com cenoura e creme apimentado. Há ainda opções de carne de porco, de cordeiro, de contrafilé, com diversos tipos de cogumelo e cebolas assadas. Todas muito suculentas, com molhos que ressaltam o sabor.

      Doceiros de plantão, preparem-se, pois as sobremesas são de comer de joelhos. Vá de mousse, com avelã caramelizada e sorvete de caramelo, com pedaços de fruta. Ou de sanduíche de sorvete com biscoito de cacau. Se quiser algo neutro, peça a tábua de queijos.

      The Foundry

      O bairro de Parktown North é cheio de opções para petiscar e tomar bons drinques. Se a ideia é um almoço despojado, a escolha é The Foundry, um bar mais tranquilo, descolado, com música ao vivo e uma carta de cerveja gigantesca e mais de dez tipos de chope.

      Todo de madeira, com luz natural, o Foundry lembra o clima descontraído dos bares da Vila Madalena, em São Paulo. Para comer, se estiver a fim de algo mais leve, vá de atum com crosta de gergelim, maionese, ovas, gengibre e saladinha verde. Se preferir petiscar, há porções para dividir, lanches e pizzas. Para beber, vá de The Big Lobowski, um drinque diferente e interessante, que leva vodca de baunilha, lavanda, Martíni e limão. É servido com esfera alcoólica com um pozinho que explode na boca e estala, como aqueles pirulitos de criança.

      Bolton Road Collection

      Esse restaurante tem uma proposta bacana de três opções de entrada – do mar, da fazenda e do campo – para dividir em até quatro pessoas. A do campo é vegetariana, composta por queijos, aspargos, batatas, azeitonas, melancia, pão e milho. A do mar vem com bolinho de salmão, mexilhões, brioche e salmão curado.

      Na sequência, é possível escolher entre pequenos ou grandes pratos, que vão de preparos vegetarianos a peito de pato, salmão e hambúrgueres. Os drinques também têm um toque diferente. O aperol, por exemplo, é servido com uma pipoquinha de caramelo que dá um toque mais adocicado à bebida. Nos doces, a panna cotta é muito leve, com calda de frutas vermelhas, servida com sorvete de morango e pedaços de chocolate aerado.

      Cape Town

      Cape Town também é obrigatória para quem visita a África do Sul. A cidade de clima praiano é deliciosa e totalmente easy going. Passear por suas ruas é relaxante e, em todos os lugares, você depara com a cultura local.

      Também é preciso visitar a Table Mountain, uma de suas atrações mais procuradas, mas que pode decepcionar o turista, caso o tempo esteja ruim e não seja possível subir, que foi o que nos aconteceu. Por isso, programe a visita logo para o primeiro dia da viagem, assim você terá como reagendar para os outros dias, caso o tempo não colabore. De qualquer forma, é possível avistar a montanha de diversos pontos da cidade e, apesar de não termos tido a oportunidade de apreciar a vista do alto, ela é maravilhosa.

      O passeio de side car é uma ótima pedida para conhecer os pontos turísticos de Cape Town, como a praia de Camps Bay

        Uma alternativa para o caso de não dar certo ir ao topo da Table Mountain é o passeio de sidecar, aquela moto com assento acoplado ao lado. É sensacional! Uma experiência única e divertida. Saímos do hotel One&Only e subimos cerca de 12 quilômetros.  A primeira parada foi na Praia de Camps Bay, de onde é possível avistar a Montanha dos 12 Apóstolos. A praia é linda, de mar bem verde, que encanta. Em seguida, fomos até o Parque Nacional da Table Mountain, que tem uma vista deslumbrante da cidade. Além disso, o passeio conta com guias supersolícitos e alegres.

        Cape Town é daquelas cidades onde é possível encontrar ótima gastronomia, feirinhas de arte local, comida e temperos. O V & A Food Market fica dentro do complexo Waterfront – que conta com shopping, roda-gigante com vista para a cidade toda, bares, restaurantes e lojinhas – e é um mercado de alimento artesanal de rua, com conceito moderno e que a visita vale súper a pena.  É possível comer nos restaurantes de lá e comprar ingredientes, uma espécie de Mercado de Pinheiros, de São Paulo.

        Também vale a pena visitar Bo Kaap, um bairro histórico, com muitas casas coloridas. É onde se encontra a maior comunidade muçulmana da África do Sul.

        Ambiente intimista do Bolton Road Collection e algumas das opções de entrada para compartilhar

          Recepção luxuosa

          Se tem uma coisa que a rede de hotéis One&Only sabe é como receber bem. Assim que o hóspede entra no hotel, em Cape Town, depara com o bar, o Vista Bar e Lounge, montado, estrategicamente, em um ambiente totalmente envidraçado, amplo e com vista espetacular para a Table Mountain. Uma ótima desculpa para passar um tempo por lá no fim da tarde, quando tem música ao vivo, ou antes do jantar.

          O hotel foi inaugurado em 2009 e conta com 131 apartamentos, com vista para a marina e para a Table Mountain, sendo que 40 deles foram construídos em uma ilha, escolha ideal para quem deseja mais privacidade e a sensação de tranquilidade.

          Vista dos apartamentos do hotel One&Only

          O hotel é tão grande que, para se locomover, é possível usar carrinhos de golfe ou fazer uma bela caminhada, apreciando toda a sua beleza. A área da piscina é enorme, são cerca de 350 metros quadrados, ideais para descansar e aproveitar o clima de Cape Town. Se você já ficou desejando visitar o resort, a gastronomia no One&Only faz um convite a arrumar as malas agora e pegar o primeiro avião rumo a África do Sul.

          Culinária de ponta

          Sucesso mundial, o restaurante Nobu tem uma filial dentro do hotel. Com cardápio inspirado na culinária japonesa, com toques da cozinha local. Um segundo restaurante, o Isola Pool, fica na área da piscina, para quem busca refeições mais rápidas e com ambiente mais despojado. Ali, também é possível tomar o café da manhã.

          Por fim, o restaurante principal é o Reuben’s, que segue todo o estilo clássico e elegante do hotel. Com pratos clássicos da gastronomia sul-africana, o Reuben’s é comandado pelo chef Reuben Riffel. Conta, ainda, com uma Wine Wall e uma coleção de 5.000 rótulos de vinhos, selecionada pelo renomado sommelier Luvo Ntezo. A comida impecável começa pelo café da manhã. De frescas e saborosas frutas da época, iogurtes, cereais, ostras, croissants, pães de todos os tipos, queijos, cogumelos, todas as opções de ovos, doces e, é claro, o imbatível waffle – de massa supersaborosa, fofinha, servida com frutas e creme de baunilha, maple syrup e mel. Para começar o dia sorrindo à toa.

          No jantar, fomos acompanhados pelo sommelier, que harmonizou nossas escolhas com vinhos sul-africanos. Caso do Graham Beck Brut, um Pinot Noir com Chardonnay – que Nelson Mandela tomou quando foi eleito presidente e quando ganhou o Prêmio Nobel da Paz, gesto que deixou a comunidade sul-africana muito orgulhosa. O vinho custa de 10 a 15 dólares. Outra harmonização foi com o Anima Chenin Blanc, um vinho orgânico.

          As entradinhas seguem o estilo da culinária de Cape Town, com mais especiarias e temperos. Peça o carpaccio de polvo, que são lâminas redondinhas e superfinas do molusco, servido com alho, limão, cebolinha e pimentão bem picado e o “croquete” recheado com creme de milho, muito delicado, que contrasta com o potinho de pimenta, capaz de fazer arder toda a boca.

          Para os principais, peixe do dia, superfresco, servido com lulas e mexilhões, molho mais adocicado, linguine e purê de cenoura que também dá um toque mais doce. Destaque para a bochecha com rabada e a caça, para quem está em busca de pratos mais encorpados, com sabor bem marcante.

          Diversidade de passeios em Cape Town

          Degustação Devil’s Peak

          O Devil’s Peak Brewing The Taproom é uma cervejaria moderninha. Toca pop rock e tem frequentadores de todas as idades. As paredes de tijolinho e as vidraças do chão ao teto com as mesas de madeira dão um toque descontraído ao local. O bar, inaugurado em 2012, abriga a própria microcervejaria e é superagradável para ir com amigos e experimentar vários rótulos. Na ocasião, fizemos uma degustação com quatro deles.

          Para petiscar, tem tábua de frios, hambúrgueres e nachos. A Lager tem 4% de teor alcoólico, mais leve, suave e refrescante, é um rótulo fácil de ser bebido. A First Light Golden Ale tem 4,5% de teor alcoólico e apresenta notas suaves de dulçor do malte e sabor de frutas tropicais, como o maracujá. A Devil’s Peak Pale Ale é a preferida dos clientes. Também com 4% de teor alcoólico é daquelas cervejas que convidam a sempre tomar mais um gole. Por fim, The King’s Blockhouse IPA é mais encorpada, com maior teor alcoólico do que as demais, com 6%.

          A Devil’s Peak tem um clima superdescontraído e rótulos interessantes. A fábrica é junto ao bar, sendo possível agendar visitas e aprender um pouco mais sobre a produção de cervejas

            Foxcroft

            O Foxcroft está localizado na cidade de Constantia, que fica a cerca de 20 minutos de carro do centro de Cape Town. Ele foi um dos bons, se não o melhor restaurante que visitamos. No espaço interno está a cozinha, toda de vidro. Assim como a parte de charcutaria do local e a de doces, com mesas de madeira e ambiente um pouco mais sério do que o do jardim. Foi lá que resolvemos sentar para aproveitar o lindo dia e a vista para a Vinícola Constantia.

            O chef e proprietário Glen Foxcroft afirma que eles procuram trabalhar em conjunto com os fazendeiros locais, para ter sempre produtos frescos e de qualidade. Desde as entradas, o cliente já percebe a qualidade e o frescor da comida. Além de lindas, cada uma é servida em uma louça diferente, abrindo o apetite à primeira vista.

            Ambiente externo do restaurante Foxcroft, um de nossos preferidos da viagem
            O que pedir

            Destaque para o mexilhão, com emulsão e pedacinhos de bacon; o atum cru, com emulsão de azeitona, castanha e crispy de cenoura bem fininho; o caldo de tofu, bem temperado, que combina perfeitamente com a leveza do queijo; o croquete com pedacinhos de couve-flor apimentados, que contrastam com o recheio de porco; e as lulas crocantes, que nunca decepcionam e aqui ainda são servidas com produtos da charcutaria da casa, pedaços de azeitonas e pasta de alho branco.

            Para o prato principal, o porco, com brócolis, alface com molho picante e purê de batata defumada. Finalizado com uma pururuca. São muitos sabores, mas que não brigam entre si, completam-se. O purê, que é mais delicado, ganha força com o defumado. A alface ameniza a picância e a carne de porco é extremamente macia e suculenta. Fechando com chave de ouro, a torta de caramelo, que surpreendeu, e a panna cotta, com textura perfeita, mas com sabor predominante de rosas. Acompanhada de suspiros rosa e bolinhas de farofa de amendoim. Daqueles lugares que deixam saudade e nos fazem querer voltar, assim como toda a África do Sul e seus encantos.

            * A reportagem viajou a convite da South African Tourism e da South African Airways, companhia aérea que leva você para a África do Sul.
            * Reportagem publicada na edição 182 de Prazeres da Mesa, outubro de 2018

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