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Nam Thai, da Tailândia para o Rio de Janeiro

Produtos tailandeses são a base da cozinha que o chef David Zisman exerce em seu restaurante

Nam Thai_David Zisman 2_Crédito Lipe Borges
David Zisman I Foto Lipe Borges

Era uma vez um clínico-geral que se encantou pela gastronomia tailandesa. Foi estudar na Kashma School, na Califórnia, e aprimorar as técnicas no restaurante-escola Blue Elephant, de Bangcoc.

Em 1998, depois de quatro décadas dedicadas à medicina, David Zisman abriu o Nam Thai, em Itaipava, região serrana do Rio. Três anos mais tarde, desceu a montanha para fincar bandeira no bairro do Leblon.

Em 2018 (ou 2561, no calendário budista adotado pelos tailandeses), o restaurante recebeu, pela segunda vez, o selo Thai Select, conferido pelo Ministério do Comércio Exterior da Tailândia.

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Na América do Sul, somente o Brasil abriga casas com o selo. São elas: o Nam Thai, no Rio, o Thai Chef Restaurant e o Namga, em São Paulo. O processo é bastante rigoroso e começa com a visita de três tailandeses ao restaurante.

Foram ao Nam Thai, o embaixador da Tailândia no Brasil, o chefe do escritório comercial do país em São Paulo e a secretária-geral da embaixada tailandesa em Brasília. Além de provar pratos do menu, que escolheram livremente, eles visitaram a cozinha, conferindo os métodos de preparo, e verificaram as notas fiscais dos produtos importados da Tailândia.

“Gastronomia é produto! Não é possível fazer a autêntica culinária tailandesa sem o produto tailandês”, afirma David, que traz da Tailândia a pasta fermentada de camarão, para preparar o curry, usado em seus pratos. Em média, são 20 quilos de curry por semana, desde o mais suave ao curry verde, com pimenta malagueta, usado no Gaeng Kiew Wan Gai – frango fatiado com curry verde, leite de coco, berinjela, broto de bambu e manjericão – e no Gaeng Kiew Wan Pla Salmão – salmão preparado ao vapor com molho de curry verde, leite de coco, berinjela, folhas de limão-kafir e manjericão.

Nam Thai_Ambiente 1_Crédito Vera Donato
Foto Vera Donato
Nem tudo é ardência no menu do Nam Thai

Os pratos são identificados conforme o grau de picância. Para iniciantes, há o Guai Tiew Rad Naa, introduzido pelo chef no cardápio para comemorar o Thai Select. Aromático, combina talharim de arroz frito com lâminas de mignon de porco, brócolis, cenoura, pimentão amarelo, shiitake, shoyu e pimenta. Mas antes, é imprescindível passar por entradinhas, como o dim sum de camarão e as trouxinhas de frango com molho de peixe.

Para finalizar, decore este nome: Samk’aiá Fak Tong, uma sobremesa que leva abóbora, leite de coco, ovos e açúcar. “Você entrega os mesmos insumos a duas sociedades distintas e tem duas culinárias diferentes”, diz David. “Por aqui, teríamos o doce de abóbora com coco da vovó. Mas em Bangcoc e nas planícies centrais da Tailândia, eles recheiam a abóbora com uma mistura de leite de coco, ovos e açúcar. Cozinham tudo ao vapor e deixam refrigerar por 12 horas”, afirma. Depois, a abóbora é fatiada e servida com calda de caramelo, frutas cítricas e coco queimado. E não fica devendo nada ao bom e velho doce de abóbora com coco.

Por Ursula Alonso Manso

Nam Thai

Rua Rainha Guilhermina, 95 A/B, Leblon, tel. (21) 2259-2962, Rio de Janeiro, RJ; namthai.com.br

Nam Thai | Foto: Lipe Borges, divulgação

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